Um produtor rural de São Miguel do Iguaçu perdeu cerca de 20 mil aves após uma queda de energia registrada por volta do meio-dia de ontem, no distrito de Santa Rosa. O prejuízo estimado pela família é de aproximadamente R$ 150 mil, já que todo o lote alojado no aviário foi comprometido.
Segundo relato dos proprietários, a energia começou a oscilar de forma repentina. Mesmo com o acionamento do gerador, o sistema não conseguiu manter o funcionamento adequado dos equipamentos. A chave do sistema elétrico não suportou as variações de tensão, afetando principalmente o sistema de ventilação.
Sem ventilação adequada, as aves ficaram expostas a condições ambientais desfavoráveis dentro do barracão e não resistiram. Em poucas horas, toda a produção foi perdida.
Problema recorrente no campo
O caso não é isolado. De acordo com levantamento do Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), produtores rurais de várias regiões vêm acumulando prejuízos milionários nos últimos anos em razão de quedas frequentes de energia e oscilações na rede elétrica.
Relatos encaminhados por sindicatos rurais e prefeituras apontam que as falhas no fornecimento têm provocado não apenas mortalidade de frangos e peixes, mas também perdas na produção leiteira e danos a equipamentos como motores, bombas de irrigação, climatizadores e resfriadores.
Lucro bilionário e cobrança por investimentos
Apesar dos prejuízos relatados no campo, a concessionária responsável pelo fornecimento de energia no Estado, a Copel, registrou lucro líquido de R$ 2,66 bilhões em 2025, segundo dados citados pela entidade do setor agropecuário.
Produtores cobram investimentos estruturais e maior estabilidade no fornecimento, alegando que as falhas impactam diretamente a sustentabilidade econômica das propriedades, especialmente as de pequeno e médio porte.
O que diz a Copel
Em nota ao Canal Rural, a Copel informou que parte das interrupções está relacionada a fatores climáticos e ao contato da vegetação com a rede elétrica. Segundo a empresa, cerca de dois terços das ocorrências na área rural têm essa origem.
A concessionária destacou que a rede de distribuição no campo é majoritariamente aérea, o que a torna mais vulnerável a ventos, tempestades e queda de galhos. Informou ainda que tem reforçado ações de manutenção preventiva, como podas e roçadas, além de firmar parcerias com prefeituras e sindicatos rurais.
A companhia também ressaltou que eventos climáticos extremos vêm pressionando o sistema elétrico no Paraná. Apenas nos últimos três meses de 2025, ao menos 12 eventos severos atingiram o Estado, incluindo um tornado registrado na região de Rio Bonito do Iguaçu.
Enquanto isso, produtores afirmam que casos como o de Santa Rosa expõem a fragilidade da infraestrutura elétrica no campo e colocam em risco toda a cadeia produtiva do agronegócio paranaense.




















































