Os governos do Paraguai e da Argentina anunciaram, nos últimos dias, o endurecimento das políticas de controle migratório com o objetivo de impedir a entrada de cidadãos venezuelanos ligados ao regime de Nicolás Maduro. As medidas ocorrem em meio ao agravamento da crise política regional após a ação dos Estados Unidos contra o governo venezuelano.
No Paraguai, a Direção Nacional de Migração, com apoio dos órgãos de segurança do Estado, informou que passou a adotar mecanismos mais rigorosos de análise migratória. Segundo o governo paraguaio, estão sendo utilizados sistemas de cruzamento de dados em bases abertas e fechadas, além de cooperação interinstitucional, para identificar indivíduos com possíveis vínculos com o regime venezuelano.
De acordo com o comunicado oficial, o objetivo é impedir a entrada no país de pessoas associadas ao governo de Maduro, com suspeitas de ligação com o narcoterrorismo ou que possuam pendências judiciais. As autoridades destacam que, quando comprovados esses vínculos, poderão ser aplicadas medidas de restrição migratória previstas na legislação vigente.
O Paraguai afirma que as ações buscam proteger suas fronteiras e evitar o uso indevido de mecanismos de proteção internacional, reforçando, ao mesmo tempo, o compromisso com uma política de migração segura, ordenada e regular, em conformidade com os direitos humanos e com a cooperação internacional.
Argentina adota política semelhante
Na Argentina, o Ministério de Segurança Nacional anunciou novas disposições que restringem a entrada de funcionários públicos, integrantes das forças armadas e empresários associados ao regime de Nicolás Maduro. Em nota divulgada neste sábado (3), o governo afirmou que a medida visa impedir que o país seja utilizado como refúgio por colaboradores do governo venezuelano.
O comunicado também ressalta que a Argentina não concederá asilo a pessoas vinculadas ao regime, reforçando o alinhamento do governo do presidente Javier Milei às ações adotadas por outros países da região.
Após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, Milei divulgou comunicado oficial no qual celebrou a captura de Maduro pelas autoridades norte-americanas, classificando o regime venezuelano como um “inimigo da liberdade” e comparando a situação do país à de Cuba durante a Guerra Fria.
Repercussão regional
As decisões de Paraguai e Argentina refletem um movimento mais amplo de endurecimento das políticas migratórias na América do Sul, em resposta ao cenário geopolítico envolvendo a Venezuela. Para os dois governos, as restrições não têm como alvo a população venezuelana em geral, mas sim indivíduos ligados ao regime, reforçando o discurso de segurança nacional e controle fronteiriço em um contexto de crescente instabilidade regional.






















































