Régua, lápis e compasso
A política é, em geral, medida por uma escala onde vereadores, deputados, senadores, prefeitos e governadores são avaliados entre o ruim, o regular e o bom. É a métrica das pesquisas. Já vi parâmetros com “ótimo” e “péssimo”, usados para desempenhos que fogem à média. Em Foz do Iguaçu, lamentavelmente, é difícil medir nossos representantes com essa mesma simplicidade.
Escala dos infernos
O Corvo, atento ao que se ouve nas ruas, concluiu que é preciso formatar novos critérios. Como a quebra de paradigmas por aqui costuma ser para baixo, a métrica ideal seria: execrável, medonho, abominável, dantesco, sofrível, péssimo, regular e, finalmente, bom. Francamente, não houve um “ótimo” em toda a nossa história. Se houver, por favor, ajudem este Corvo a encontrar.
O Corvo Diógenes
Diógenes de Sinope (412 a.C. – 323 a.C.) foi o pilar da escola Cínica na Grécia Antiga. Vivia como um mendigo nas ruas de Atenas, habitando um grande barril de barro para provar que a felicidade reside na autossuficiência, e não nos bens materiais. Quando questionado sobre o que fazia, respondia apenas: “Procuro um homem honesto” — ou, em algumas traduções, “um homem de verdade”.
Diógenes e a lanterna
O filósofo fazia, em verdade, uma crítica feroz à hipocrisia e à vaidade de sua época. Para ele, encontrar alguém com integridade era tão difícil que seria necessária uma lanterna sob o sol do meio-dia para conseguir enxergar. Assim, ele zanzava pelas ruas. Não há registro de que tenha encontrado esse homem; pelo contrário, a força de seu gesto residia justamente no fracasso da busca.
Busca eterna
Se Diógenes caminhasse hoje pelos corredores do poder, sua lanterna continuaria acesa até as baterias se esgotarem. A metáfora é clara: em tempos de propaganda antecipada e desinformação, a lanterna representa o jornalismo rigoroso. O jornalista busca o fato nu e a ética pública em meio ao “sol” ofuscante das narrativas políticas. Para a maioria dos políticos, Diógenes — e os jornalistas — são apenas “chatos”.
Corvo São Tomé
Vivendo há 45 anos nesta bela estância no velho Oeste, este colunista já viu de tudo: de bandidos a mocinhos. Para quem não lembra, já houve até duelo nas ruas ao som das doze badaladas por causa de política. A lanterna do Corvo esbarrou em muita gente: Clóvis Cunha Vianna, Wadis Vitório Benvenutti, Perci Lima, Dobrandino Gustavo da Silva, Alvaro Apolloni Neumann, Harry Daijó, Celso Samis da Silva, Paulo Mac Donald Ghisi, Reni Pereira, Ivone Barofaldi, Inês Weizemann, Chico Brasileiro e o atual, Joaquim Silva e Luna. Pode ser que eu tenha iluminado ótimas pessoas, mas, na política, ninguém superou o “bom”. Agora, não é difícil encaixar essa lista nos adjetivos que citei lá em cima. Escolha o seu e divirta-se.
“Passo preto” me responda:
O que é um ótimo político? É alguém que compreende a transitoriedade do poder e a utiliza como ferramenta de transformação, nunca como fim. É quem carrega a lanterna para iluminar decisões e a habilidade de um construtor para edificar o progresso. Mais do que gerir orçamentos, zela pela esperança coletiva. Possivelmente, o “bom” político iguaçuense chegou perto disso, mas não transbordou para o “ótimo”. É a pura e cristalina verdade.
Como encontrar um?
Para o eleitor, o recado é vigilância. Em vez de um salvador messiânico, atue como Diógenes: mantenha a luz da razão acesa. Olhe para o retrovisor; o passado do candidato é o melhor indicador do seu futuro. Desconfie do “nós contra eles”, pois quem constrói carreira sobre o ódio raramente tem projetos sólidos. Troque o “o quê” pelo “como”: quem promete saúde e segurança deve explicar, com transparência, de onde virá o recurso.
O Recado Final
O voto não é um presente ao candidato, mas uma procuração para que alguém administre a sua vida. Use a lanterna para iluminar o caráter de uns e outros. A democracia só produz ótimos políticos quando feita por eleitores exigentes. Dizem que a Grécia foi o berço da Democracia, mas nem por isso o caminho era trilhado por “iluminados”. No caso deste colunista, a sensação é que Diógenes passou, olhou e foi embora. Com sinceridade: no cenário atual, é uma tarefa difícil iluminar.

A coluna No Bico do Corvo é de autoria de Rogério Romano Bonato, 50 anos de jornalismo, dos quais, 45 vividos em Foz do Iguaçu. Cabe a máxima: “me engana que eu gosto”. Este artigo é publicado com exclusividade no portal Amanaque Futuro e nos meios informativos da gloriosa Rádio Cultura de Foz do Iguaçu!





















































