A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu, obteve conceito 2 na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), aplicada em 2025 pelo Ministério da Educação (MEC). O resultado colocou o curso de Medicina da instituição entre os que ficaram abaixo do desempenho mínimo considerado satisfatório na avaliação nacional.
Ao todo, 351 cursos de Medicina foram avaliados em todo o país. Desse total, 107 obtiveram conceitos 1 ou 2, o que representa cerca de 30% dos cursos com desempenho insuficiente, segundo dados divulgados pelo MEC. Diante desse cenário, o ministério anunciou que irá aplicar medidas de supervisão e sanções a 99 cursos que estão sob sua gestão direta, com restrições que podem incluir congelamento de vagas, suspensão de acesso ao Fies e Prouni ou até a interrupção de novos ingressos a partir de 2026, dependendo da nota obtida.
No caso da Unila, a reitora Diana Araújo afirmou que o resultado divulgado não é definitivo e que a universidade já solicitou a revisão da nota junto ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Segundo ela, o próprio instituto encaminhou um ofício às reitorias informando sobre possíveis inconsistências no cálculo das notas. “Ontem mesmo nós já mandamos um pedido de revisão, porque identificamos inconsistências no cálculo divulgado. Para nós, esse resultado ainda é parcial, e a tendência é que a Unila alcance conceito 3, que foi a nota obtida no nosso próprio cálculo”, afirmou a reitora em entrevista.
Questionada sobre os fatores que podem ter impactado negativamente a avaliação, Diana Araújo destacou a ausência de um hospital universitário próprio como um dos principais entraves para um desempenho melhor no exame. “A falta do hospital pesa muito na consolidação e no fortalecimento do curso de Medicina. Isso faz diferença, especialmente para que a nota avance de 3 para 4”, explicou.
A reitora também ressaltou que o projeto do hospital universitário segue em andamento, com diferentes estratégias sendo avaliadas. “Nada está descartado. Temos plano A, B e C, inclusive com possibilidade de apoio da Itaipu. Talvez a construção própria leve mais tempo, mas o hospital vai sair”, afirmou. Sobre eventuais sanções ao curso caso a nota 2 seja mantida, a reitora evitou antecipar cenários. “Ainda vamos aguardar o resultado final da avaliação. Esse não é o resultado definitivo”, reforçou.
O MEC informou que as instituições terão prazo para apresentar defesa administrativa e que o Enamed passará a ser aplicado anualmente, com acompanhamento contínuo dos cursos. A expectativa do ministério é que o exame contribua para elevar a qualidade da formação médica no país e corrigir falhas estruturais identificadas nas avaliações.





















































