Prezado pedante escritor,
Li, com indisfarçável desagrado, a crônica de vossa autoria em edição passada. É de se lamentar que um cavalheiro de vossas luzes avilte a nobre língua de Camões com o uso do termo “pum”.
Tamanho chulismo deslustra o vernáculo e ofende a etiqueta! Faltou-vos o decoro de utilizar, quando menos, um “ventosidade” ou o clássico “flatulência”. Peço que recobre a bonomia e o asseio vocabular, sob pena de ver sua pena relegada ao esquecimento dos mal-educados.
Com a austeridade de sempre,
Eulália de Castro (Prof.ª Aposentada, 102 anos)
Digníssima mestra dona Eulália,
Acuso o recebimento de vossa admoestação, que me chegou às mãos como uma régua de palmatória — justa, porém gélida. Confesso que, ao ler vosso veredito, senti as faces tomadas por um rubor de quem foi pego colando na prova de Latim.
Peço vênia pelo deslize! Em um momento de fraqueza estilística, troquei o asseio da “ventosidade” pelo atalho chulo do tal “pum”. Foi, admito, um solavanco na gramática, um tropeço no vernáculo que decerto teria feito Camões sofrer de dispepsia.
Prometo, de agora em diante, polir minha pena com o esmero que a senhora nos incutiu. Se o estômago do texto roncar, buscarei o abrigo da “flatulência” ou, quem sabe, o silêncio discreto de um “meteoro gasoso”. Aceite este pedido de desculpas de quem, embora de cabelos brancos, ainda se sente no banco da frente de vossa sala de aula, de cabeça baixa e mãos postas.
Com o mais profundo e devoto respeito,
Seu eterno e (agora) comportado aluno, Rogério.
Política mandando ver
Parece que os nossos valorosos pré-candidatos combinaram o mês de março para intensificar as ações. Foi, aliás, uma semana de fervura no setor político. Os deputados Vermelho, pai e filhote, trabalharam duro em várias localidades de Foz e cidades próximas. O vice Ricardinho anda com a mão cheirando a Bálsamo Bengué de tanto cumprimentar o povo; Airton José, depois da filiação no MDB, quase não voltou mais para casa, o que deixa a dona Bia de beiço torcido, pronta para largar uma bronca. Já Deoclecio Duarte vai de um lado ao outro igual ao Tas, o demônio da Tasmânia dos desenhos animados. É, meus amigos, daqui em diante isso fará parte do nosso cotidiano e tomara que empolgue a população com vistas à eleição. Povo envolvido é garantia de escolha bem-feita.
Missão Brasília
Airton José oficializou seu retorno ao MDB, agora como pré-candidato a Deputado Federal. E se engana quem pensa que foi apenas uma assinatura protocolar: a recepção foi um verdadeiro “frisson”, superando — e muito — as expectativas mais otimistas do próprio Airton! O deputado federal Sérgio Souza, presidente estadual da legenda, trouxe as bênçãos diretas da executiva nacional e de Baleia Rossi.

Visitas e visitas
Deoclecio Duarte exibe um filmete relembrando o passado, um material, diga-se, muito eficaz para recordar que a política não é coisa nova na vida do empresário. Depois de visitar o vice-governador Darci Piana, ele deu um abraço em Danilo Vendrusculo, empresário do ramo de veículos pesados com a “estrela” Mercedes-Benz e presidente da ACIFI. Vamos ressaltar: a entidade desenha uma agenda para conversar com os candidatos. Na manhã desta segunda-feira, quem passou por lá foi Sérgio Moro.

Breu na Perimetral
Quando reclamamos sobre a Perimetral Leste, não demora para alguém fazer uma ligação e dizer que logo a situação estará normalizada. Mas a promessa tarda. A pista deveria ser toda iluminada, mas no trecho mais importante, no setor que compreende a Mata Verde, o escuro é de dar medo; não se vê absolutamente nada, a começar pelos ciclistas que insistem em não utilizar luzes sinalizadoras. Um vizinho relatou que havia um cavalo bem no meio da pista, o que obrigou um motorista — um argentino voltando da praia — a fazer um desvio abrupto, quase capotando o veículo. Acidentes são constantes no trecho.
Acessos negados
E como alguns acessos inexplicavelmente ainda não foram abertos, os motoristas fazem manobras das mais diversas, quase sempre sem o cuidado de usar o acostamento. Um aviso: a Perimetral Leste logo será dos caminhões, como o céu é do avião! Os que gostam de encurtar o caminho até o setor norte se decepcionarão. A festa ameaça acabar. Haverá mais veículos pesados ocupando a pista do que lambari na lagoa. Segundo os entendidos, é quase certa a formação de filas em todo o percurso e, como é pista única e com acostamento apertado, dificilmente sobrará espaço para os veículos leves.
Recomposição da João Paulo II
Milhares de veículos transitam no novo trecho da Avenida João Paulo II diariamente. É uma ligação eficiente entre o Jardim Tarobá e a Vila Yolanda. A pista está passando por um processo de raspagem, providência necessária, uma vez que o concreto – de ótima qualidade – acabou ondulando devido aos aclives e declives da via. A raspagem está sendo realizada com equipamento de ponta, o mesmo utilizado em pistas de aeroportos para garantir a aderência no pouso de grandes aviões. Ponto para os empreiteiros: colocaram a responsabilidade e a manutenção em primeiro lugar.
BR-469 nos finalmentes
Enfim, o trecho entre o Hotel Carimã e o acesso ao Aeroporto deve ser entregue. Os moradores e comerciantes da área sul agradecem; foram anos de tormento com desvios e soluções provisórias. A obra está parcialmente pronta, faltando o trecho de chegada ao Parque Nacional. Mas as perguntas persistem: haverá passarelas para pedestres? Onde ficarão os pontos de ônibus? A lista de questionamentos ainda é longa.
Argentina é quem manda
Mudando de assunto, usar celular próximo aos rios Iguaçu e Paraná tornou-se uma tarefa inglória. Usar o WhatsApp até passa (usando wifi de alguém), mas completar uma ligação é missão quase impossível. A chiadeira é grande por parte dos empresários que operam nessas áreas de fronteira. O sinal vizinho parece ignorar os limites geográficos.
Chip batizado
O vivente vai à farmácia, compra um chip oficial e, ao instalar, descobre que o número já pertenceu a alguém. Aparece a cara feia de alguém vestindo camiseta do Flamengo. Isso é uma barbaridade! As operadoras reciclam números descartados, o que significa que números antes usados por meliantes para falcatruas podem parar nas mãos de estudantes ou donas de casa. É o fim da picada e um perigo real para o usuário. E pensar que estamos na era do 5G!
Santos Dumont
Linda homenagem dos artistas plásticos aos 110 anos da passagem de Santos Dumont por Foz. Uma curiosidade: em boa parte das pinturas, o inventor está sorrindo. Isso é raro. Em retratos históricos, ele mantinha uma aparência severa, raramente esboçando alegria.
E qual a razão será?
Segundo narrou dona Elfrida Engel Nunes Rios em entrevista a este colunista em 1983, Dumont expressava profundo descontentamento com o uso militar do avião na Primeira Guerra (No auge em 1916). Mostrava-se depressivo e sorria apenas timidamente por cortesia. A arte, no entanto, permite essa licença poética. Santos Dumont sorrindo nas telas simboliza a libertação que ele possivelmente tanto procurou.
A visão do abandono
Quem foi à feirinha da JK encontrou amigos e arte, mas também se deparou com a saudade. Na esquina onde havia a COART, agora há um buraco cheio de lixo e escombros. Uma visão que o cidadão não merece, bem no coração da cidade. O abandono contrasta com a manhã de domingo e azeda o humor de muita gente.

Ratinho no museu
Beiramos o outono e nada das tradicionais águas de março. O que se vê são queimadas. Ontem, a fumaça impregnou o eixo turístico, inclusive próximo ao Museu de Cera, onde foi inaugurada a estátua do apresentador Ratinho. Ele prestigiou a iniciativa, decerto esperando que sua imagem de cera não derreta com esse calor fora de época. Dá-lhe ar-condicionado! O refúgio mesmo é o Bar de Gelo ao lado. Uma boa semana a todos!

Rogério Romano Bonato escreve a coluna No Bico do Corvo com exclusividade para o Almanaque Futuro e meios eletrônicos da Rádio Cultura de Foz do Iguaçu. P.S. Aceita críticas e puxões de de orelha dos leitores. Melhorar é uma meta, mesmo para um cinquentenário na humilde função de escriba.



















































