O prefeito Silva e Luna anunciou na última sexta-feira (6) que Foz do Iguaçu deverá ganhar quatro restaurantes populares. A proposta, segundo ele, é oferecer refeições a baixo custo para a população, com uma cozinha central responsável por abastecer as demais unidades.
O principal restaurante, conforme explicou o prefeito, será construído em um terreno do Exército, cuja cessão ainda está em processo de viabilização. Já os projetos das unidades, de acordo com ele, estariam sendo desenvolvidos pela Secretaria de Planejamento.
Até aí, tudo parece bem organizado — pelo menos no discurso.
Nos bastidores da própria prefeitura, porém, as informações não parecem tão alinhadas quanto o cardápio anunciado.
O deputado federal Fernando Giacobo, por exemplo, teria prometido cerca de R$ 2 milhões em emenda parlamentar para a construção de ao menos uma unidade. Segundo sua assessoria, o dinheiro está garantido desde o ano passado e só espera a apresentação do projeto para ser liberado.
“Mandou o projeto, a verba é liberada na hora”, garantiu o assessor do deputado, Mario Cezar.
Na Secretaria de Planejamento, entretanto, as versões começam a variar.
O ex-secretário da pasta, arquiteto José Teodoro, afirma que existiam dois projetos estruturados: um restaurante popular na Rua Quintino Bocaiúva, em um terreno do Exército, e outro para a construção de uma cozinha central em uma área na região Norte da cidade, nas proximidades do CER IV.
“Estava tudo pronto, aguardando a liberação de verbas, mas após minha saída tudo pode ter mudado”, comentou o arquiteto — frase que, na administração pública, costuma significar justamente isso.
Já o atual secretário de Planejamento, Edinardo Aguiar, concorda que os projetos estão em andamento. O detalhe é que ainda falta realizar o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), uma exigência obrigatória para empreendimentos desse porte, sejam públicos ou privados e que deveria preceder as demais providências para implantação do equipamento.
Ou seja: antes de servir a primeira refeição, ainda é preciso estudar o impacto.
Sobre os recursos, Aguiar afirmou que o orçamento estimado é de aproximadamente R$ 4,97 milhões. O dinheiro, segundo ele, está dividido entre duas secretarias estaduais diferentes — das Cidades e da Agricultura — e o município tenta agora unificar esses valores para direcioná-los à mesma finalidade.
Assim, enquanto o prefeito fala em quatro restaurantes populares, a equipe técnica cita dois projetos, um estudo que ainda vai começar e recursos espalhados em diferentes pastas.
A instalação de restaurantes populares é uma antiga reivindicação da população da cidade. Foz é uma das únicas cidades de médio porte que ainda não inaugurou nenhuma unidade. Cascavel, por exemplo, mantém três restaurantes e em Toledo a prefeitura serve refeições de baixo custo em nada menos que oito endereços.
Por enquanto, o que parece mesmo pronto é apenas o anúncio.



















































