A prorrogação do contrato de gestão do Hospital Municipal Padre Germano Lauck, no valor de até R$ 210.090.164,81 entre fevereiro de 2026 e março de 2027, publicada no Diário Oficial desta sexta-feira, 20, mantém a unidade como o principal centro de despesas da saúde pública de Foz do Iguaçu.
O valor corresponde a aproximadamente 37,7% do orçamento total da Secretaria Municipal da Saúde para 2026, estimado em R$ 557.037.622,50. A maior parte dos recursos da pasta permanece concentrada na manutenção da média e alta complexidade.
O contrato refere-se exclusivamente à compra de serviços da Fundação Municipal de Saúde pelo Município, abrangendo especialidades médicas, folha de pagamento, materiais, equipamentos, serviços terceirizados e encargos. Não contempla investimentos estruturais no prédio.
A unidade necessita de reforma ampla, especialmente no telhado, que apresenta problemas de goteiras. Como o contrato cobre apenas a prestação de serviços, qualquer melhoria estrutural depende de recursos externos, como repasses estaduais ou federais.
Além disso, funcionários do setor administrativo relatam baixos salários, mesmo diante do volume expressivo de recursos destinados à operação hospitalar.
Em 2025, segundo dados divulgados pelo próprio hospital, foram realizados mais de 6.952 atendimentos, além de 26.479 exames de imagem e 17.695 exames laboratoriais. Apesar de envolver também cirurgias e internações não detalhadas nesses números, o custo global do contrato mantém elevado o peso financeiro da unidade dentro do orçamento municipal.
Com quase 38% dos recursos da saúde concentrados no hospital, a margem para ampliar investimentos na atenção básica — como unidades de saúde, Estratégia Saúde da Família e ações preventivas — torna-se reduzida.
Alternativa: gestão federal via universidade
Entre as alternativas discutidas está a possibilidade de o Município transferir o hospital para a Universidade Federal da Integracao Latino-Americana (Unila), que poderia ter a unidade administrada pela Empresa Brasileira de Servicos Hospitalares (Ebserh).
A Ebserh é responsável pela gestão de hospitais universitários federais em diversas regiões do país. Nesse modelo, a estrutura poderia ser transformada em hospital universitário federal, com ampliação de especialidades, aumento do número de leitos e fortalecimento do ensino e da pesquisa na área da saúde.
Para o município, a mudança representaria alívio financeiro significativo, já que o custeio passaria a contar com orçamento federal. A cidade também poderia ganhar expansão de serviços de alta complexidade e incremento na oferta de atendimentos, atendendo à demanda crescente por leitos e especialidades.
Até o momento, no entanto, essa possibilidade não avançou de forma concreta. A discussão permanece no campo das alternativas administrativas, enquanto o município continua responsável pelo financiamento majoritário da operação hospitalar.
Diante do cenário atual, a definição sobre o modelo de gestão do hospital torna-se central para equilibrar as contas públicas, ampliar a capacidade instalada e fortalecer a rede básica de saúde, que segue com recursos limitados frente ao peso da média e alta complexidade no orçamento municipal.





















































