Condenado pelo 8 de janeiro é preso em Foz após captura no Paraguai

Homem de Londrina foi localizado em Salto del Guairá e entregue à PF na Ponte da Amizade após descumprir medidas judiciais e fugir.

Reprodução redes sociais

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (3), em Foz do Iguaçu, João Paulo Silva Matos, de 36 anos, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 14 anos de prisão pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Foragido da Justiça brasileira, ele foi localizado no Paraguai e entregue às autoridades na Ponte Internacional da Amizade. A captura ocorreu em Salto del Guairá e a entrega à Polícia Federal em Foz do Iguaçu, aconteceu por volta das 22h.  O condenado ainda não passou por audiência de custódia e seu destino também segue sem definição.

Natural de Londrina, no norte do Paraná, João Paulo foi capturado na cidade paraguaia de Salto del Guairá após uma ação conjunta entre forças de segurança dos dois países. Segundo as autoridades paraguaias, o brasileiro estava em situação migratória irregular. A prisão foi resultado do compartilhamento de informações com a Polícia Federal, que já monitorava o paradeiro do condenado.

A ordem de prisão foi expedida em 2026 e assinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes no dia 8 de janeiro deste ano, data que marcou três anos da invasão às sedes dos Três Poderes, em Brasília. João Paulo é o primeiro condenado pelos atos de 8 de janeiro a ter mandado de prisão expedido neste ano.

O homem havia obtido liberdade provisória em dezembro de 2023, quando a prisão foi substituída por medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a obrigação de permanecer no Paraná. Após descumprir as determinações judiciais, ele deixou de ser localizado pelas autoridades brasileiras e passou a ser considerado foragido.

De acordo com o processo, João Paulo invadiu o Palácio do Planalto durante os atos antidemocráticos e publicou vídeos nas redes sociais. Ele foi identificado pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República em imagens gravadas no interior do prédio, nas quais aparece incitando um golpe de Estado e proferindo ofensas contra o ministro Alexandre de Moraes. O condenado também foi alvo da Operação Lesa Pátria, que investiga financiadores, organizadores e executores dos ataques.

Após ser entregue à Polícia Federal na Ponte da Amizade, João Paulo passou por exame de corpo de delito e permanecerá à disposição da Justiça brasileira.

Segundo balanço divulgado pelo STF em outubro do ano passado, 638 pessoas já foram condenadas pelos crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro, enquanto outras 552 firmaram acordos com o Ministério Público Federal por participação considerada de menor gravidade. Entre os condenados, 279 receberam penas por crimes classificados como graves, como tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público.

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