Um encontro entre o prefeito de Foz do Iguaçu, Joaquim Silva e Luna, e a diretora da Escola Municipal João da Costa Viana, Janaina Proensa dos Santos, ocorrido na manhã da última quinta-feira (28), durante a limpeza de uma praça, no bairro Três Lagoas, resultou no registro de um Boletim de Ocorrência na Delegacia da Polícia Civil por suposta agressão verbal e intimidação.
No documento, a servidora relata que se aproximou do prefeito para convidá-lo a visitar a escola. Segundo o relato, após alguns segundos de conversa, Janaina comentou que “a gestão da educação está difícil”, o que teria provocado uma reação ríspida do chefe do Executivo. A diretora afirma que Silva e Luna ‘cerrou os punhos, elevou o tom de voz e se aproximou fisicamente de forma intimidatória, a uma distância que permitiu sentir gotículas de saliva em seu rosto’.
Ainda conforme o boletim, o prefeito teria acusado a professora de alimentar desavenças com a secretária Municipal de Educação e encerrado o diálogo afirmando “sou eu que mando e não vou na sua escola”, além de ameaçar retirá-la do cargo que ocupa há cerca de 25 anos, conquistado por meio de concurso público. A servidora declarou que se sentiu ameaçada e com temor de perder a função.
No depoimento, Janaina também relatou que, após o episódio, a escola recebeu a visita de vereadores, advogados e representantes da Secretaria Municipal de Educação para verificar demandas estruturais da unidade, porém, segundo ela, ninguém mencionou o ocorrido que motivou o registro policial.
Diante das afirmações da diretora, o Sindicato dos Professores e Profissionais da Educação da Rede Pública Municipal de Foz do Iguaçu (Sinprefi) divulgou nota pública manifestando repúdio a qualquer forma de violência. A entidade informou que acompanha o caso desde sexta-feira com cautela, prestou solidariedade à servidora, aos familiares e colegas de trabalho, e destacou que a assessoria jurídica do sindicato está prestando atendimento à profissional. O sindicato afirmou ainda que seguirá atento aos desdobramentos, dentro de suas atribuições institucionais.
O Conselho Escolar da Escola Municipal João da Costa Viana também se manifestou por meio de nota pública de repúdio. No documento, o colegiado afirma que a educação municipal atravessa um período de “grave instabilidade institucional”, agravado, segundo o Conselho, pela inércia da Secretaria Municipal de Educação na resolução de demandas consideradas críticas. Entre os pontos elencados estão a inexistência, até a véspera do início do ano letivo, de normativas oficiais para a distribuição de turmas — situação classificada como inédita — e a precariedade da estrutura física da unidade, a maior da rede municipal, com problemas no telhado, no forro e uma abertura de cerca de três centímetros na laje da cozinha, oferecendo riscos à segurança.
Na nota, o Conselho Escolar reiterou apoio irrestrito à diretora Janaina Proensa, elogiando sua atuação profissional e afirmando que não tolerará qualquer forma de retaliação, boicote ou cerceamento ao exercício funcional da servidora ou ao funcionamento da unidade escolar. O documento também convida formalmente o prefeito a visitar a escola para vistoriar pessoalmente as condições de trabalho e ensino, destacando que a comunidade escolar ainda não recebeu a visita do chefe do Executivo neste mandato.
Em resposta, a Prefeitura de Foz do Iguaçu negou a ocorrência de qualquer ato de violência. Em nota oficial, a administração informou que o prefeito realizava, na Praça das Três Lagoas, o acompanhamento de serviços de zeladoria e manutenção do espaço e concedia entrevista a um jornalista quando a diretora se aproximou e se identificou. Segundo a Prefeitura, houve inicialmente um diálogo cordial, com convite para visita à escola.
Ainda conforme a nota, instantes depois, a servidora retornou ao local e passou a manifestar críticas à área da educação e à gestão municipal, em meio a um ambiente com intenso ruído de máquinas, o que poderia ter dificultado a compreensão das falas. A administração sustenta que se tratou de uma divergência de opiniões em espaço público, sem contato físico ou agressões, situação que teria sido presenciada por servidores e pelo profissional de imprensa presente.
A Prefeitura afirmou que acusações mais graves não encontram respaldo nos fatos apurados internamente. Por fim, reafirmou compromisso com a transparência, o respeito aos servidores públicos e o direito da população à informação.




















































