O ofício e os ossos
O ambiente político estava meio acomodado, decerto no rescaldo das festas de final de ano, ou ainda em férias, esperando o Carnaval passar. Bom, sabemos que a política só pega no tranco e há quem não goste da análise pausada, estudada e lembrada acerca dos fatos. A memória deste colunista ainda é muito boa. Pudera, mais de 45 anos revoando o ambiente. Muita gente iniciou a carreira, aprontou de tudo e se aposentou ao longo do período. Ninguém deveria brincar com a memória coletiva, porque ela é bem afiada.
Sem indução
Vamos começar pelo Paulo Mac Donald Ghisi. Este colunista fez uma costura simples, mas de certa forma “prespontada”, com base no comportamento histórico desse nosso personagem frente aos processos eleitorais. Um exercício assim nos permite imaginar que o ex-prefeito vive o dilema de lidar com 2026, enquanto nove em cada dez pessoas envolvidas com a política o lançam para concorrer a alguma coisa. Mas e ele, se manifestou oficialmente?
Sem manifestação
Paulo não abriu a boca, logo, pode não concordar com ilações a seu respeito e, claro, sentirá desconforto quando alguém atropela sua maneira de agir no cadafalso da política. Ele sabe que um passo errado custará forca, garrote ou guilhotina. Qual seria o pior? O que o Corvo escreveu é apenas uma condensação de seus atos, mais no campo da especulação do que na física. Ele deve pensar bastante no cenário e este colunista sabe que não há um mortal capaz de decifrar seus pensamentos com exatidão. As engrenagens em sua cabeça se movem em todos os sentidos e em ritmo contínuo; logo, tentar adivinhar essa engenhosidade por meio das palavras pode ser uma afronta.
Mas o Corvo escreve com a liberdade que lhe é concedida e atesta: a decisão de Paulo sempre contraria todas as expectativas. Ele faz uso de duas leis: a Lei Chacrinha, de quem veio para confundir e não explicar, e a Lei da Distensão — que, metaforicamente, seria o mesmo que esticar uma borrachinha de escritório até o ponto de ruptura, sem que arrebente. Paulo é, antes de político, um sociólogo de carteirinha; faz do seu espaço no mundo o laboratório.
Mas e daí?
Se vai ser candidato ou não, se antecipará as eleições para prefeito, se pendurará as chuteiras (isso é pouco provável), ninguém sabe e nem nunca vai saber, mas são assuntos que jamais seriam desprezados por este colunista. Nunquinha.
Mac Donald, Paulo Mac Donald…
Vamos combinar: Paulo consolidou carreira política e já é grandinho. Como o 007, ele possui “License to kill”, no sentido de fazer o que quiser. Mas há alguns fatos longe das ilações: segundo este colunista soube, há várias pessoas contratando pesquisas incluindo o nome dele para as eleições deste ano. Escrever isso não é crime eleitoral; seria se o resultado fosse publicado. Mas, ao que se sabe, esses levantamentos servem apenas para orientação e dificilmente seriam publicados. Num ambiente assim, é temerário deixar de lado um personagem tão importante, mesmo que seu comportamento seja vesuviano — ou seja, raramente expele a lava. Então vamos deixar o bonde na ladeira, sem condutor, para ver no que vai resultar.
Ciumentos
O “universo político iguaçuense” se sente excluído quando este colunista “gasta espaço” com apenas uma pessoa, como fez com o Paulo Mac nos últimos dias. Mas, em verdade, o General Silva e Luna sempre esteve presente nos textos, fazendo o contrapeso editorial. Naturalmente, ao se escrever sobre um, o leitor já vai lembrando do outro. Então, para não perder a conexão…
Generauuuuuuuuuuuuu
Na comparação histórico-militar, é possível equacionar que os professores são para Silva e Luna o mesmo pesadelo causado em Napoleão pelos cossacos. Uma barbaridade! E dá-lhe manifestações, com direito a bate-boca. É inegável que o general/prefeito encara uma inolvidável experiência em sua carreira de estrategista.
Mudanças
Contaram para este colunista que o General está planejando mais mudanças do que se imaginava em seu staff, e elas podem afetar até mesmo quem se julga “imexível”. Teremos o resumo da ópera após o Carnaval. Dizem que a lista de mudanças sai antes de a CNBB lançar a Campanha da Fraternidade de 2026, cujo tema será “Fraternidade e Moradia” — “Ele veio morar entre nós” (baseado em João 1, 14). Por falar nisso, e a habitação, General? A quantas anda, uma vez que o Ivatan foi tapar buracos?
Eles voltaram!
E alguém sentiu falta? A Câmara Municipal de Foz do Iguaçu já está com as suas atividades administrativas em pleno funcionamento, embora o “trabalho de plenário” dos vereadores — as sessões ordinárias — regresse oficialmente na próxima semana. Nas redes sociais, algumas pessoas disseram nem saber que estavam de férias. Ao que parece, a população não anda muito antenada nas atividades parlamentares municipais ultimamente.
Recesso
Vereador não sai de férias, entra em recesso, como fazem os deputados estaduais, federais e senadores. E é o que o Corvo fará até segunda-feira: um recesso. A coluna não será publicada até lá, mas trabalho é o que não falta! Até!

Rogério Romano Bonato assina a coluna No Bico do Corvo. Escreve de segundas as sextas-feiras com exclusividade para o Almanaque Futuro e Rádio Cultura de Foz do Iguaçu.



















































