O Gráfico do Declínio?
O desempenho de Donald Trump tem sido um prato cheio para quem gosta de montanha-russa, mas um pesadelo para quem busca estabilidade monetária. O gráfico da cotação do dólar mostra que a política de “punhos cerrados” está, na verdade, desidratando o valor da própria moeda. No final de dezembro de 2025, o dólar beijava os R$ 5,50, mas bastou a sequência de “factos” geopolíticos para a ladeira começar.
Derrocada
A curva de queda é acentuada em períodos estratégicos: logo após a captura de Maduro em 5 de janeiro, a moeda, que estava em R$ 5,40, começou a flutuar em busca de um chão que não encontrou. O tombo ganha contornos dramáticos por volta do dia 19, quando Trump resolveu ameaçar a Europa com tarifas, fazendo a moeda recuar para R$ 5,36. O golpe de misericórdia no gráfico veio com a ameaça ao Irã no dia 22, empurrando a cotação para a casa dos R$ 5,28.
A análise que dói
Para muitos analistas, esse não é apenas um registro de oscilação cambial, mas um atestado do declínio da influência dos EUA perante o mundo. Ao tentar mostrar força através de sanções e tarifas, Trump parece estar conseguindo o oposto: tornar o dólar uma moeda volátil e menos confiável. Se ele queria ver os Estados Unidos como o país mais forte do mundo, o gráfico da cotação, encerrando a semana em R$ 5,29, sugere que o mercado está lendo outro roteiro. Como diz o Corvo: às vezes, quem muito grita, acaba falando para o próprio bolso vazio.
Gangorra cambial
O dólar resolveu despencar e Foz do Iguaçu, como sempre, vive aquele dilema de velório: uns choram a partida do “verde”, outros celebram a herança. Enquanto o pessoal das lojas francas e de Ciudad del Este ensaia um sorriso, o setor de exportação faz cara de quem chupou limão e não gostou. É a nossa sina fronteiriça: nunca estamos todos no mesmo barco; quando a maré sobe para o turista, ela inunda a lavoura do exportador.
O choro da soja
Se você quer ver um homem forte beirando o pranto, vá a um boteco da Vila Portes em dia de dólar baixo e colheita farta. Os amigos pecuaristas e “sojeiros” deste colunista estão com os nervos em frangalhos. Produzir em dólar alto e vender em dólar baixo é um esporte radical que ninguém quer praticar. No balcão, a conversa não é sobre o clima, mas sobre como a moeda americana está derretendo o lucro que já estava no bolso.
Acaso geopolítico
O Brasil segue colhendo frutos plantados pelo acaso. Se o dólar caiu, não foi por uma engenharia magistral da nossa economia, mas pelas “aprontadas” de Donald Trump lá em cima. O capital estrangeiro, assustado com o estilo “bate-estaca” da Casa Branca, fugiu para o Sul. Somos o plano B do mundo, vivendo à base de concessões e sustos. É a prova de que a criatividade brasileira sobrevive até ao caos alheio, mas uma estabilidade real, sem sobressaltos, continua sendo lenda urbana.
Bye Bye Cataratas?
Há quem garanta que, quando a moeda americana dá um refresco, o iguaçuense esquece que mora ao lado de uma das Maravilhas do Mundo e corre para o aeroporto com destino a Miami. Mas calma lá, “seo” viajante! Com as limitações impostas pelo governo Trump, a operação não está mais tão simples quanto comprar do lado de lá do Rio Paraná. O sonho americano hoje tem mais burocracia do que fila na Ponte da Amizade.
Gasolina de ouro
Uma coisa que o brasileiro não entende — e este Corvo muito menos — é a matemática dos combustíveis. Dizem que o preço da gasolina é reflexo do mercado internacional e do dólar. Pois bem: o dólar caiu, o mercado internacional balançou, mas na bomba o preço parece ser colado com Super Bonder. Quando é para subir, o reajuste vem na velocidade da luz; para baixar, parece que a conta é feita por uma tartaruga manca e com preguiça.
Poor Niagara!
A fofoca diplomática da semana é impagável. Dizem que Donald Trump, ao ver uma foto das nossas Cataratas, exclamou: “Poor Niagara!”. Um assessor, mais lido que o chefe, soprou no ouvido dele que a frase já tinha dona: Eleanor Roosevelt, lá nos anos 50. Trump, que não gosta de ser segundo em nada, emendou: “É um lugar bonito, espero ir lá me encontrar com meu novo amigo, o Lula”. Imagina a cena: os dois discutindo o Mercosul no mirante ao lado da Garganta do Diabo!
VIP no Parque
Toda vez que uma autoridade desse calibre resolve dar as caras no Parque Nacional, é um misto de orgulho e aborrecimento. Por um lado, a mídia espontânea vale milhões e coloca Foz na vitrine do mundo. Por outro, o turista comum fica de lado por algumas horas, esperando o famoso terminar de fazer o selfie. É o preço do brilho.
Marketing grátis
Se o Trump realmente aparecer por aqui, o valor da publicidade seria incalculável. Nem toda a verba da Embratur em dez anos pagaria o impacto de um boné “Make America Great Again” voando nas águas do Iguaçu. O problema é saber quem pagaria a conta da segurança, já que em Foz, com tanto serviço de inteligência de país diferente circulando, é capaz de faltar hotel para tanto espião e agente secreto.
Memória seletiva
Para os mais jovens, vale lembrar o início do Plano Real, quando o dólar valia menos que um real. Naquela época, Foz era o centro do universo e Ciudad del Este parecia a Quinta Avenida. As filas na ponte eram quilométricas e o estoque de uísque e perfume parecia infinito. Se a história vai se repetir? Difícil. Hoje a economia é movida a algoritmos e geopolítica de rede social, e o nosso bolso não tem a mesma elasticidade de trinta anos atrás.
A prata da casa
Enquanto o dólar derrete, tem metal brilhando mais que sorriso de ganhador da Mega-Sena. Desde 2024, a valorização da prata resolveu dar um baile no ouro. Virou a nova queridinha de quem quer proteger o patrimônio sem precisar comprar um cofre do tamanho de um navio. Mas cuidado: investir em prata exige estômago. Entre joias e contratos futuros, o risco de sair com os dedos manchados é grande para quem entra na onda apenas por empolgação de balcão de boteco.
Brasil de aluguel
Moral da história (em quadrinhos): o governo atual descobriu a pólvora: viver à base de concessões. O que o Estado não consegue consertar, ele “aluga” para a iniciativa privada. Estradas, portos e terminais estão entrando no pacote. O resultado imediato é o fluxo de capital que faz o Ibovespa bater recorde. É bonito de ver na tela do computador, mas o brasileiro médio, que paga o pedágio na ponta, ainda espera para ver se a eficiência vai chegar antes da próxima fatura.
Otimismo Cauteloso
No fim das contas, entre o riso de quem compra o perfume mais barato e o choro de quem vende a saca de soja, Foz do Iguaçu vai equilibrando-se na corda bamba cambial. O importante é não perder o humor e garantir que o churrasco de domingo não seja afetado pelas variações de Chicago. Porque, se o dólar sobe, a gente reclama; se o dólar baixa, a gente desconfia. O Brasil, definitivamente, não é lugar para amadores, e a fronteira é a sua pós-graduação.

Rogério Romano Bonato assina a coluna No Bico do Corvo. Escreve de segundas as sextas-feiras com exclusividade para o Almanaque Futuro e Rádio Cultura de Foz do Iguaçu.




















































