O delegado da Alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu, César Viana, afirmou que a operação da Ponte da Integração, em quase um mês de funcionamento parcial, segue dentro da normalidade no tráfego de caminhões vazios. Segundo ele, não há registros de atrasos ou impedimentos no sentido Brasil–Paraguai, e todos os veículos que se apresentaram para a travessia conseguiram passar. O principal gargalo observado ocorre nas primeiras horas de abertura da aduana, às 22h, provocado pela formação antecipada de filas ainda durante a tarde, o que gera sobrecarga inicial e ociosidade ao longo da madrugada.
Viana destacou que tanto a aduana brasileira quanto a paraguaia enfrentam problemas estruturais decorrentes da entrega recente das obras. Entre as falhas estão vazamentos hidráulicos, danos em forros, problemas em sistemas de ar-condicionado e pane na iluminação externa, que não pode ser reparada diretamente por estar sob garantia contratual. No lado paraguaio, a situação é semelhante, com falhas elétricas que obrigam o funcionamento por meio de geradores. A Receita Federal elaborou um relatório técnico com centenas de inconsistências, encaminhado ao DNIT, responsável por acionar o DER e as construtoras para os reparos necessários.
O delegado também esclareceu que a Receita Federal não adotou maior rigor na fiscalização de caminhões, mantendo os mesmos procedimentos já aplicados anteriormente. As mudanças percebidas pelos transportadores decorrem principalmente da atuação da Polícia Federal, que passou a exigir o registro migratório obrigatório dos caminhoneiros, tanto no Brasil quanto no Paraguai. Esse controle mais rigoroso já resultou, inclusive, na prisão de motoristas com mandados em aberto. Além disso, a fiscalização de alimentos transportados nos caminhões foi intensificada, com apreensão de produtos in natura proibidos pela legislação sanitária.
Sobre os próximos passos da operação, Viana explicou que, a partir do dia 19, ônibus de turismo fretados poderão utilizar a Ponte da Integração, conforme acordo bilateral entre Brasil e Paraguai. Ainda não há previsão para a liberação de pedestres, motos ou veículos carregados, estes últimos condicionados à conclusão de obras de infraestrutura no Paraguai, prevista apenas para 2027. O delegado ressaltou que a retirada dos caminhões vazios da Ponte da Amizade já trouxe impacto positivo no trânsito urbano e que o comércio internacional e o turismo registram crescimento expressivo, pressionando uma estrutura logística considerada defasada para a demanda atual e futura.



















































