Com o início de 2026, muitas famílias brasileiras enfrentam o ano com o orçamento apertado, reflexo dos gastos elevados do fim de ano e da falta de planejamento financeiro. Para ajudar quem deseja organizar melhor as finanças e evitar novos apertos, o educador e consultor financeiro Roberto Otuzi, que atua em Foz do Iguaçu, traz orientações práticas para começar o ano no azul.
Segundo Otuzi, o primeiro passo é montar um orçamento anual detalhado, funcionando como um verdadeiro “raio-x financeiro”. A recomendação é listar todas as receitas e despesas, organizadas por categorias como mercado, transporte, moradia e lazer. “Com isso, a pessoa passa a ter uma visão clara de como será o ano financeiro que está começando”, explica.
Além do controle dos gastos, o consultor destaca a importância de definir objetivos financeiros claros, pelo menos três. Entre os exemplos mais comuns estão criar uma reserva de emergência de, no mínimo, R$ 5 mil ou quitar dívidas do cartão de crédito, que costumam aumentar após as compras de fim de ano.
Despesas “vilãs” do começo do ano
O início do ano também traz gastos inevitáveis, que Otuzi chama de “despesas vilãs”. Entre elas estão o IPVA e o IPTU, que devem ser previstos no orçamento com antecedência. “É importante avaliar se há condições de pagar à vista, já que normalmente existem descontos”, orienta.
Outros gastos comuns são com material escolar e uniformes, especialmente para quem tem filhos. A dica, segundo o especialista, é pesquisar preços, aproveitando a facilidade das compras online. Já em relação às promoções de janeiro, o alerta é para o consumo consciente. “A pessoa precisa se perguntar: eu compraria isso se não estivesse em promoção?”, ressalta.
Reserva de emergência evita endividamento
Outro ponto fundamental para a saúde financeira é a reserva de emergência, muitas vezes negligenciada. O ideal, de acordo com Otuzi, é que essa reserva cubra de três a seis meses dos custos mensais. “Ela serve para imprevistos. Sem essa reserva, a pessoa acaba recorrendo a dívidas”, afirma.
Para evitar o uso indevido do dinheiro, o consultor recomenda manter a reserva em uma conta separada, como uma poupança ou um investimento de renda fixa com liquidez rápida, como CDBs.
Atenção às dívidas e ao cartão de crédito
Quando o assunto é dívida, a prioridade deve ser quitar aquelas com juros mais altos, especialmente o cartão de crédito. Questionado sobre parcelamentos sem juros, Otuzi é direto: o ideal é evitar. “O parcelamento compromete a renda futura, e ninguém tem garantia de como estará a renda nos próximos meses”, alerta, citando casos em que consumidores assumem parcelas longas sem segurança financeira.
Poupar pouco também faz diferença
Para quem ganha pouco e acredita não ser possível economizar, Roberto Otuzi reforça que o mais importante é criar o hábito de poupar, mesmo que seja um valor simbólico. “Pode começar com R$ 10 por mês. O mais difícil não é o valor, é o hábito”, explica.
A principal orientação é simples, mas eficaz: pagar-se primeiro. “Recebeu o salário, já separa o valor da poupança. Se deixar para guardar o que sobra, normalmente não sobra nada”, conclui.
Com organização, disciplina e pequenas mudanças de comportamento, o educador financeiro garante que é possível começar 2026 com mais controle, menos dívidas e mais tranquilidade.



















































