A Bosco Clínica Médica Ltda., empresa credenciada para atendimentos oftalmológicos a usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) encaminhados pela Prefeitura, apresentou resposta formal às reclamações registradas por pacientes junto à Ouvidoria Municipal. No final de dezembro, o vereador Evandro Ferreira encaminhou um requerimento ao município cobrando explicações sobre o que considerou elevado número de reclamações de pacientes da especialidade (link matéria).
Clínica oftalmológica credenciada ao Município é alvo de críticas de pacientes do SUS
Em sua defesa, a empresa alegou que as manifestações negativas representam menos de 0,1% do total de atendimentos realizados ao longo de 2025. De acordo com os dados encaminhados à Secretaria Municipal de Saúde, a unidade realizou mais de 33 mil procedimentos no período, incluindo 9,8 mil consultas, 22,6 mil exames complementares e mil cirurgias oftalmológicas. Ao todo, foram registradas 28 reclamações, todas analisadas individualmente e respondidas dentro dos prazos estabelecidos pela Ouvidoria.
Na manifestação, a clínica reconhece falhas pontuais, mas sustenta que os casos não refletem o padrão geral do serviço prestado. Segundo o diretor comercial da empresa, José Luis Garcia, medidas corretivas foram adotadas de forma imediata para aprimorar o atendimento e evitar a repetição das ocorrências.
Entre os principais pontos questionados pelos usuários está a suposta tentativa de conversão de atendimentos do SUS para procedimentos particulares. A clínica esclarece que, em alguns casos, houve interpretação equivocada por parte dos pacientes, especialmente em relação às lentes intraoculares. Conforme a resposta, os profissionais informam que a lente fornecida pelo SUS é importada e de boa qualidade, mas não corrige grau residual, diferentemente das lentes premium disponíveis no mercado privado. A instituição afirma que a opção por lente particular só ocorre mediante manifestação expressa do paciente e implica a realização integral do procedimento fora do SUS.
Ainda assim, a clínica relata que identificou um caso isolado de oferta inadequada de serviços particulares durante atendimento público. Como resposta, foram realizados treinamentos éticos obrigatórios e padronizada a comunicação com os pacientes, proibindo qualquer menção a procedimentos privados durante consultas pelo SUS.
Outras reclamações envolveram atrasos em exames e cirurgias, falhas administrativas e divergências de informação. Segundo a clínica, os atrasos ocorreram de forma pontual, em situações como manutenção de equipamentos ou indisponibilidade temporária de profissionais, e não comprometeram a realização dos procedimentos contratados. Já as falhas administrativas teriam sido corrigidas, com reforço nos fluxos internos e alinhamento com a Central de Agendamento da Secretaria de Saúde, responsável pelo agendamento das consultas.
A clínica também informou que providenciou a instalação de placa de identificação do atendimento SUS em sua nova unidade, mesmo sem previsão expressa no edital de chamamento, e que todas as pendências documentais e fiscais apontadas foram regularizadas.
Ao final da manifestação, a prestadora de serviços solicitou que a Prefeitura avalie a criação de um canal institucional para registro de ocorrências envolvendo condutas inadequadas de usuários contra profissionais da saúde, alegando que recepcionistas e técnicos não dispõem atualmente de um meio oficial para relatar episódios de desrespeito ou agressões verbais.
A Secretaria Municipal de Saúde ainda deve analisar a resposta apresentada pela clínica e decidir sobre eventuais encaminhamentos administrativos.





















































