Cannabis, canabiol
O programa Contraponto da Rádio Cultura é multifacetário, versátil, prende os ouvintes em assuntos dos mais inusitados e quem diria, temas relacionados à ciência batem recordes de audiência. Foi o que aconteceu com a presença do professor, mestre, Francisney do Nascimento, que coordena as pesquisas no laboratório de Cannabis Medicinal e Ciência Psicodélica na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). É um trabalho inédito, sobretudo quando avalia o uso da cannabis medicinal na prevenção do Alzheimer. É estudo longo, com duração de até 20 anos, acompanhando filhos de pessoas diagnosticadas com a doença, uma vez que pertencem ao grupo com maior risco genético. É necessário destacar que o trabalho de Francisney e sua equipe está em várias publicações científicas de renome internacional.
Sociedade
O uso medicinal da Cannabis não é novo, pesquisadores vão buscar as soluções na natureza e não podemos esquecer que somos diretamente integrados a isso, uma vez que possuímos uma pequena porcentagem de “cannabis em nosso organismo”. Deixem eu explicar isso melhor, para não apanhar na rua, porque a ignorância é mais orgânica que qualquer parte do corpo humano: vamos fazer um pequeno ajuste técnico para não gerar mal-entendidos. Não temos a “planta” dentro de nós, mas possuímos algo chamado Sistema Endocanabinoide (SEC). Trata-se de uma rede complexa de receptores e moléculas sinalizadoras que ajudam a regular funções vitais como sono, apetite, dor e resposta imunológica. O termo “endocanabinoide” vem de Endo: interno (produzido pelo nosso corpo). O Canabinoide são moléculas que interagem com os mesmos receptores que os compostos da planta.
A tal “Cannabis Natural” do corpo
Em vez de THC ou CBD (que são fitocanabinoides, da planta), nosso corpo produz suas próprias versões, como a Anandamida. Curiosamente, o nome vem do sânscrito Ananda, que significa “felicidade” ou “bem-estar supremo”. Quando alguém utiliza a Cannabis medicinal, os compostos da planta (como o CBD e o THC) se “encaixam” nos mesmos receptores que a nossa Anandamida usaria. É por isso que a planta funciona tão bem no corpo humano. Ela fala a “língua” química que o nosso organismo já entende.
Resumo da ópera
Não temos a planta em si, em nosso corpo, mas temos a fechadura (receptores) e a chave interna (endocanabinoides). A Cannabis medicinal apenas fornece uma “chave externa” que pode ajudar a equilibrar o sistema quando algo não vai bem, do Alzheimer, ao Autismo; Parkinson, Fibromialgia, sequelas de AVC, Osteoartrite e Psoríase. Há resultados até na redução da obesidade. O leque é muito vasto, se depender dos resultados laboratoriais.
O uso medicinal não é novo
Sobre a ancestralidade, o uso da Cannabis para fins terapêuticos é documentado há milênios: Há relatos de procedimentos na China Antiga para dores reumáticas e gota e isso data de mais de 2700 a.C. No Egito e Índia, os efeitos da planta estão em textos sagrados e papiros médicos para inflamações e ansiedade. Antes da proibição moderna, a Cannabis era um ingrediente comum em farmácias ocidentais para tratar dores e espasmos. E vamos parar com essa frescura que estudar a Cannabis é coisa de “maconheiro”. É, em verdade, ciência pura e o Brasil graças ao trabalho do professor Francisney do Nascimento, está na ponta dos estudos e isso pode ajudar em muitos tratamentos. O assunto polemiza e é repleto de situações que o tornam pejorativo, como é o caso da participação de Fernando Gabeira no início dos anos 80, de sunga fio dental-crochê em Ipanema, fazendo discurso em favor da maconha. Bom, mulheres usam o fio dental; para os homens isso está mais para “cordão cheiroso”. Vamos mudar de assunto.
O dever de casa do executivo: a exigência de provas
Falando sério, a polêmica sobre o recolhimento de livros didáticos de inglês em Foz do Iguaçu avançou para uma nova etapa no Judiciário. O magistrado responsável pelo caso determinou que a Prefeitura abandone justificativas genéricas e aponte, de forma técnica e objetiva, as “páginas e linhas” que conteriam os conteúdos considerados impróprios. A decisão reforça que, na gestão pública, qualquer ato de retirada de material pedagógico deve ser fundamentado em evidências concretas, separando convicções ideológicas da análise técnica do material escolar.
Rigor processual e a transparência nos documentos
O embate entre o SINPREFI e a Secretaria de Educação ganhou contornos mais rígidos após o sindicato acusar o município de apresentar jurisprudências imprecisas no processo. A denúncia sugere que decisões de tribunais superiores teriam sido citadas de forma a não corresponder fielmente ao que foi decidido originalmente. Diante disso, o juiz emitiu um alerta formal sobre a “litigância de má-fé” — punição aplicada quando uma das partes falta com a verdade ou tenta induzir o juiz ao erro. O município agora corre contra o relógio para validar suas fontes e argumentos. Dizem que a dor de cabeça é quase letal e a guilhotina pode ser o remédio para aquietar os ânimos.
Educação e segurança jurídica em Foz
Para além da disputa política, o caso dos livros de inglês levanta uma reflexão necessária sobre a segurança jurídica no ambiente escolar. Professores, pais e alunos dependem de um planejamento pedagógico que não seja interrompido por decisões abruptas sem o devido processo administrativo. O desfecho desta ação civil pública servirá como um importante precedente local sobre os limites da intervenção do Poder Executivo no currículo escolar e a importância da transparência total em atos que afetam o cotidiano das salas de aula.
O tabuleiro de 2026
O cenário sucessório para o Palácio Iguaçu começa a ganhar contornos definidos com as movimentações do Partido Liberal (PL). O deputado federal Fernando Giacobo surge como um nome estratégico na legenda, condicionando sua candidatura ao governo estadual aos movimentos nacionais. Caso o atual governador Ratinho Júnior (PSD) confirme uma disputa pela Presidência da República, o PL planeja lançar candidatura própria no Paraná. O objetivo central é garantir um palanque sólido e alinhado para a campanha majoritária da direita, consolidando a influência do partido no Sul do país. Se isso vai prosperar, aí são outros quinhentos.
Candidatura tática
Em declarações recentes, Giacobo reafirmou que sua eventual postulação ao governo paranaense “possui um caráter tático”. A prioridade da sigla é oferecer sustentação local às aspirações federais, especificamente para o projeto eleitoral do senador Flávio Bolsonaro. Esta movimentação sinaliza um fechamento de fileiras dentro do PL, que busca autonomia em relação a outros nomes do espectro da direita e do centro, como o senador Sergio Moro, cujas possibilidades de composição com a legenda foram descartadas pela liderança de Giacobo, priorizando a identidade interna do partido. Mas segundo uma fonte, Flávio Bolsonaro teria trocado figurinhas com Sérgio Moro recentemente. Vai ver as fontes estão equivocadas.
Do Legislativo ao Executivo
Empresário e parlamentar veterano, Fernando Giacobo traz para a cena política de 2026 um histórico de longevidade na Câmara Federal e uma trajetória marcada por episódios de notoriedade pública, como seu conhecido êxito em sorteios lotéricos no final da década de 90. Se por um lado sua experiência legislativa e trânsito partidário o credenciam como operador político, por outro, o desafio de uma campanha majoritária exigirá a conversão desse capital político em uma plataforma de governo que dialogue com as demandas complexas de um estado como o Paraná, testando sua capacidade de aglutinação eleitoral para além das bases parlamentares.
O “palanque regional”
A estratégia mencionada por Giacobo é um fenômeno comum na política brasileira conhecido como “candidatura de sacrifício” ou “candidatura de sustentação”. Historicamente, partidos lançam nomes ao governo estadual não apenas com o foco na vitória direta, mas para garantir tempo de TV, estrutura de comitês e mobilização de cabos eleitorais para o candidato à Presidência ou ao Senado daquela coligação. No Paraná, esse movimento é crucial, pois o estado possui um dos maiores colégios eleitorais do país e serve como termômetro para as forças de direita e centro-direita. Vamos pensar: atrás de Giacobo há uma lista considerável de candidatos à Câmara Federal e Assembleia Legislativa, mais o apoio de prefeitos e vereadores. Vai que cola? Uma ótima quarta-feira a todos!

Rogério Romano Bonado é chegado no humor, mas não deixa de tratar os assuntos com a devida seriedade. É a dosimetria do bom senso! A Coluna no Bico do Corvo é publicada com exclusividade para o portal Almanaque Futuro e meios eletrônicos da Rádio Cultura de Foz do Iguaçu.




















































