A rede pública municipal de educação enfrenta um déficit significativo de professores, que já ultrapassa a marca de 300 profissionais, segundo levantamento Sindicato dos Professores e Profissionais da Educação da Rede Pública Municipal de Foz do Iguaçu – Sinprefi. A situação afeta tanto o ensino fundamental quanto a educação infantil e impacta diretamente a qualidade do atendimento aos alunos.
De acordo com o secretário-geral do Sindicato dos Sinprefi, Lucas Antônio Favero, atualmente faltam cerca de 200 professores apenas no ensino fundamental. Na educação infantil, que atende crianças de zero a cinco anos, o déficit gira em torno de 60 profissionais. O número, no entanto, pode ser ainda maior quando considerada a necessidade de ampliação de vagas e a oferta de ensino em período integral.
“Essa demanda é apenas para suprir o que já existe hoje. Se houver ampliação do atendimento, principalmente na educação infantil em tempo integral, será necessário contratar ainda mais profissionais”, afirmou.
Outro fator que aumenta o déficit de profissionais na área é a carência de professores para atividades de reforço escolar. Em anos anteriores, todas as unidades contavam com salas de apoio à aprendizagem no contraturno, com turmas reduzidas para atendimento individualizado. Atualmente, esse modelo foi reduzido, mas a necessidade permanece. A estimativa é de que cada escola precisaria de pelo menos um ou dois docentes a mais para retomar esse suporte.
A sobrecarga de trabalho também tem contribuído para o agravamento do cenário. Segundo o sindicato, houve aumento expressivo no número de afastamentos por questões de saúde, especialmente após a pandemia. Em média, cerca de 80 servidores se afastam diariamente, seja por períodos curtos ou licenças mais prolongadas, muitas delas relacionadas a problemas psicológicos.
Com a falta de profissionais, escolas e centros de educação infantil têm recorrido a soluções emergenciais para manter o atendimento. Coordenadores pedagógicos, diretores e até outros professores acabam assumindo turmas, muitas vezes abrindo mão de direitos como a hora-atividade, prevista em lei.
Apesar das dificuldades, não há suspensão de aulas, já que a legislação não permite a dispensa dos alunos. No entanto, a medida gera sobrecarga interna e pode mascarar a gravidade da situação para a comunidade.
Outro fator que impacta o quadro é a presença de professores lotados em funções administrativas ou em outras secretarias municipais. Segundo o sindicato, esses profissionais fazem falta nas salas de aula e poderiam ajudar a reduzir o déficit. Segundo o Portal da Transparência existem professores concursados, realizando atividades administrativas nas secretarias de Esportes, Administração, Procuradoria Geral do Município e da própria Educação. “Estes profissionais fazem falta em sala de aula e sem ações efetivas, a tendência é de agravamento do problema, com reflexos diretos na qualidade da educação oferecida aos alunos da rede municipal”, finalizou o dirigente sindical.
A reportagem da Rádio Cultura entrou em contato com a secretária de Educação e aguarda posicionamento sobre o assunto.
