Um estudo apresentado no Conselho de Desenvolvimento Econômico de Foz do Iguaçu (Codefoz) evidenciou o descompasso entre a arrecadação de impostos e os recursos destinados ao extremo-oeste do Paraná, reforçando a necessidade de maior representatividade política. De acordo com o levantamento, os 18 municípios da região contribuíram com R$ 23,2 bilhões em tributos nos últimos quatro anos, mas receberam apenas R$ 130 milhões em emendas de deputados estaduais entre 2019 e 2025. O cenário, debatido nesta terça-feira (31), tem sido atribuído à baixa presença de representantes comprometidos com o território.
Diante disso, entidades da sociedade civil articulam uma campanha para cobrar dos partidos políticos o lançamento de candidaturas viáveis nas eleições de 2026, além de incentivar o chamado voto qualificado. A proposta é eleger representantes capazes de garantir investimentos e avanços concretos para a região. O diagnóstico foi desenvolvido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Medianeira (Codemed), em parceria com a Caciopar, e vem sendo apresentado em diferentes municípios.
O levantamento também revela alta dispersão eleitoral, fator que agrava o déficit de representatividade. Em 2022, centenas de candidatos de fora da região receberam votos no extremo-oeste — foram 682 postulantes a deputado estadual e 529 a deputado federal com votação local. Em Foz do Iguaçu, especificamente, eleitores distribuíram votos entre 586 candidatos à Assembleia Legislativa e 396 à Câmara Federal. Além disso, cerca de 20% do eleitorado apto não compareceu às urnas no último pleito.
Durante a apresentação, lideranças reforçaram a necessidade de união regional em torno de pautas prioritárias como segurança pública, saúde de alta complexidade, infraestrutura logística, educação e estabilidade no fornecimento de energia. Apesar da baixa representatividade política, o extremo-oeste demonstra forte peso econômico, com aproximadamente 600 mil eleitores e um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 33,3 bilhões, equivalente a 5% do total do Paraná.
A discrepância entre arrecadação e retorno de recursos foi destacada como um alerta. Segundo dados do estudo, para cada R$ 1 recebido, a região contribuiu com R$ 178 aos cofres estaduais e federais. Lideranças políticas e empresariais presentes no encontro defenderam a ampliação da representatividade como caminho para reverter esse cenário. A proposta inclui mobilizar a população, fortalecer candidaturas locais e ampliar o debate público sobre a importância do voto alinhado aos interesses do extremo-oeste.
