O laudo pericial sobre a explosão seguida de incêndio registrada na madrugada de 26 de fevereiro, em um apartamento de Foz do Iguaçu, concluiu que o incidente foi provocado pelo acúmulo de gás liquefeito de petróleo (GLP) no interior da unidade. De acordo com o perito da Polícia Científica, Raul Messias Lessa, os vestígios materiais indicam que houve uma ignição do gás, resultando na explosão e, na sequência, no incêndio que destruiu o imóvel.
Segundo o perito, o documento tem cerca de 120 páginas e foi elaborado por uma equipe multidisciplinar, dada a complexidade do caso. O laudo aponta que a explosão teve origem na cozinha do apartamento, mas não determina as circunstâncias que levaram ao acúmulo de gás. “A perícia trabalha com vestígios, não com suposições”, ressaltou Lessa, ao explicar que não é possível afirmar se houve falha estrutural, vazamento específico ou erro humano.
A análise também não conseguiu precisar por quanto tempo o gás ficou acumulado antes da explosão. Conforme o perito, a combinação de explosão e incêndio consumiu grande parte dos vestígios que poderiam ajudar a esclarecer detalhes mais precisos sobre o ocorrido, como a origem exata do vazamento ou possíveis falhas em equipamentos.
O laudo foi encaminhado à delegada responsável pelo caso no dia 30 de março e agora integra o conjunto de provas do inquérito policial. Caberá à Polícia Civil, a partir do documento, depoimentos e demais evidências, determinar se houve responsabilidade criminal pelo caso.
A explosão mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu e destruiu completamente o apartamento. No momento do acidente, o imóvel era ocupado pelo personal trainer Eduardo Werneck Stevens, de 31 anos, que sofreu queimaduras em cerca de 80% a 90% do corpo. Ele chegou a ser socorrido em estado grave e transferido para o Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, em Curitiba, referência no tratamento de queimados, mas não resistiu aos ferimentos e morreu uma semana depois.
Cerca de um mês após o incidente, parte do prédio foi liberada para retorno dos moradores. De acordo com a Defesa Civil, 11 das 16 unidades afetadas já estavam aptas para reocupação, enquanto cinco permaneciam interditadas devido a danos estruturais e necessidade de reparos.
