Uma Páscoa de malhações e revelações

O calendário lunar dita o feriado, mas é a bolsa de apostas dos botecos que define o futuro do PL, de Moro e as desventuras internacionais de quem confundiu o público com o privado.

Curta e decisiva

Será assim a Semana Santa neste ano eleitoral, até porque o calendário lunar não se move em acordo com o TSE. Em pleno feriado da Sexta-Feira Santa, teremos um delinear partidário e o panorama político começará a se desanuviar. Mesmo assim, as negociações devem se arrastar por um bom tempo.

 

No poste

Qual será a máscara que colocarão no boneco do tipo Judas a ser malhado este ano? A piazada no bairro mantém a tradição. Uns arranjam roupas velhas e as enchem com capim seco; outros elegem uma fotografia e imprimem na papelaria (a dona faz a cortesia), colam no papelão e, depois de enforcarem o espantalho, descem o cacete e tacam fogo. Tomara que as labaredas não alcancem o transformador da Copel, para não corrermos o risco de passar a Páscoa no escuro, como já aconteceu.

 

16 apagões

Falando em Copel, os moradores da região Sul estão bastante chateados com a série de desligamentos ocorrida na noite de sexta-feira. Em algumas localidades, foram até 20 interrupções, o que põe qualquer eletrodoméstico em pane. A Alexa de casa já estava pedindo reza! Muita gente jantou à luz de velas. Vamos retomar o rumo da política:

 

Vai ou não vai?

O General Silva e Luna agiu como Vicente Matheus ao dizer que “dirigir um time de futebol é uma faca de dois legumes”. É verdade! “Quem sai na chuva é para se queimar”. Na sexta-feira, ele fez algumas considerações a um amigo próximo: “Estarei ao lado do projeto político do governador Ratinho no Paraná. Estou confortável no PL e pretendo continuar. Tenho relação pessoal com o ex-presidente Bolsonaro. Como homem de posição, avaliarei com meu grupo a decisão no tocante à permanência no partido. Uma coisa está definida: meu apoio ao projeto do governador”. Se fica ou sai do PL, o assunto é recorrente nas bolsas de apostas dos botecos mais frequentados. A outra opção que diverte os apostadores é adivinhar em qual partido ele entraria.

 

A coisa está fervendo

Os lances políticos no Paraná são sensacionais para quem gosta da peleja. É um enforca-gato atrás do outro, e nada de o governador Ratinho ungir o nome de um sucessor. No sábado pela manhã, este colunista recebeu uma mensagem credenciadíssima: Guto Silva deixa a secretaria para ser candidato ao governo e pode antecipar a saída para esta segunda-feira. Segundo uma fonte, muito mais de meio caminho já foi percorrido; Guto conta com apoio inconteste de várias alas do Palácio Iguaçu e da Alep. Vários deputados disseram a este colunista que estão com ele, mas essas declarações sempre acompanham a frase: “se o governador assim decidir”.

 

E haja decisão

Não está errado avaliar que muitos dizem o mesmo e fazem juras a outros nomes. Alexandre Curi, Rafael Greca e agora Eduardo Pimentel recebem tais promessas de fidelidade, mas sempre no condicional. Uns amigos curitibanos andam torcendo o nariz; preferem o “Pimentelzinho” na prefeitura, sem o arrepio da passagem de bastão ao Paulo Martins. Creiam: até ele se mostra desconfortável.

 

Procura esfuziante

Quem quer a todo custo impedir a eleição de Sérgio Moro não deveria, no mínimo, fazer propaganda para ele. A proposta de Ratinho Jr., por si, “enche a bola” do senador e o faz subir ainda mais nas pesquisas. Em algum lugar, o governo induz uma guerra do “bem contra o mal”, mas falta combinar melhor com os eleitores. As intenções de voto, por enquanto, não acompanham a aprovação do governador.

 

Moro e Giacobo

Este humilde colunista escutou algumas falas do senador nas redes sociais. Entre uns pitacos e outros, disse que Fernando Giacobo foi “expulso do PL” por Valdemar da Costa Neto. Isso fez brotar sangue no “zóio” do deputado. É o jeito Moro de entrar no ônibus e já querer sentar na janelinha. Disse ainda que “o PL está bem melhor agora”. Pudera, se o vazio é coisa boa, aí são outros quinhentos. Enquanto isso, uma penca de prefeitos se acomoda em outras legendas, cada um arrastando pelo menos meia dúzia de aliados.

 

Espaços preenchidos

Enquanto não ocorre o desenlace (dos nós aparentemente cegos em Curitiba), a vida segue o curso no interior. Há muita gente pensando seriamente em mudar de partido, mas isso parece ser o menor dos problemas. O fato é que os políticos andam pisando firme na fronteira, já há até dobradinha de pré-candidatos, como o caso de João Morales e Deoclecio Duarte.

 

Michê tabelado

Faz tempo que a sociedade não vê o deputado Luciano Alves se queixar do preço dos alimentos ou das contas de luz. Mas ele se queixou do valor de um michê; para ele, uma extorsão! O que falta é apresentar um projeto na Câmara para tabelar a atividade. Seria hilário ver as “trabalhadoras do prazer” ostentarem faixas em plenário. Atentos: ainda não vimos tudo nesta vida!

 

Prostituição em Brasília

Habitantes da capital garantem que a cidade possui os metros quadrados de calçada mais caros do mundo, disputados frequentemente por cafetões. Mulheres que atuam como acompanhantes de luxo fazem um rodízio nos restaurantes mais badalados. É para esses locais, segundo serviços de transporte, que chamam a mulherada após a farra. E haja farra! Se Brasília é o paraíso das concessões, acertos e mumunhas, dá-lhe festa o tempo todo.

 

Chega, Lulu

O deputado deve curtir uma ressaca após o “arranca-rabo” com a trabalhadora noturna, episódio que infelizmente entrará para sua biografia pública devido à repercussão internacional. O vídeo está sendo assistido até no Japão. Em nota, diz tratar-se de uma situação pessoal, da vida privada; o problema é que a população não separa as coisas como ele gostaria. Melhor seria não se defender tanto em vez de procurar desesperadamente uma saída para a pisada no excremento. Vai levar tempo para o cheiro sair da sola do sapato. Quanto mais tenta consertar, pior fica. O vídeo em que se diz vítima de extorsão é uma peça de cinema; já a retratação é um primor da contradição. Após defender o episódio como “vida pessoal”, ele assina embaixo: “essa postura não condiz com a responsabilidade que exerço na vida pública”. Fez como todo mundo: a mistureba.

 

A “NOTA OFICIAL”

“Diante das informações que vêm sendo divulgadas nos últimos dias, esclareço de forma objetiva: Não houve programa. Não houve qualquer tipo de relação sexual. Não houve agressão física. O que ocorreu foi uma discussão em ambiente privado, fora do exercício da função pública e também fora de expediente. Trata-se de um episódio da minha vida pessoal, que acabou sendo exposto de forma distorcida e ampliada, gerando interpretações que não correspondem à realidade dos fatos. Reitero que o próprio registro da ocorrência não sustenta as versões que vêm sendo propagadas. Reconheço que houve troca de ofensas e, por isso, peço desculpas pela forma como reagi. Essa postura não condiz com aquilo que acredito e com a responsabilidade que exerço na vida pública. Seguirei trabalhando com seriedade e compromisso por Foz do Iguaçu e por todo o Paraná, focado nas pautas que realmente impactam a vida da população. A verdade precisa prevalecer”. (Nota do deputado L.A.).

 

E vamos que vamos…

Alguém conferiu o preço dos chocolates? Ovo de Páscoa em casa será o de galinha, preenchido com cri-cri, um dos confeitos artesanais da dona Nice. Definitivamente, a Semana Santa não será como antigamente, apesar da economia de guerra para comprar uma fatia de bacalhau. Os que não puderem, não fiquem tristes; o sentido da celebração é mais forte e o que estará sobre a mesa alimentará, antes de tudo, a alma. Não esqueçamos o que havia na Santa Ceia: pão, óleo, sal, sementes, frutas secas, ovos, ervas amargas e um osso de cordeiro. Uma ótima semana a todos!

 

Rogério Romano Bonato publica a coluna No Bico do Corvo de segunda a sexta-feira no portal Almanaque Futuro e meios eletrônicos da Rádio Cultura de Foz do Iguaçu. A semana será curta, mas a dor de cabeça promete ser longa no setor político

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