Quatro dias após a confusão envolvendo o deputado federal Luciano Alves (PSD), novas versões continuam surgindo. Diante da repercussão, a reportagem da Rádio Cultura Foz preparou uma matéria especial para reunir e organizar os principais relatos já apresentados sobre o caso, que teve início na noite de quarta-feira (25), no Lago Sul, área nobre de Brasília. A ocorrência mobilizou equipes da Polícia Militar do Distrito Federal e terminou com os envolvidos encaminhados à delegacia para registro.
Segundo a Polícia Militar, a corporação foi acionada para atender uma situação de conflito entre frequentadores de um restaurante. No local, uma mulher relatou ter sido alvo de ofensas durante um desentendimento. Testemunhas e funcionários confirmaram o atrito verbal. A vítima manifestou interesse em representar criminalmente pelo crime de injúria. Ninguém foi preso.
A Polícia Civil informou posteriormente que, em um primeiro momento, não localizou o registro da ocorrência, mas destacou que o caso segue em apuração.
O que aconteceu
Segundo relatos e imagens divulgadas, a confusão teria começado após uma negociação entre o deputado e uma mulher identificada como Lívia Borges, apontada como acompanhante. O encontro teria evoluído para um desentendimento sobre valores, por volta das 23h30.
Vídeos divulgados pelo portal Metropoles mostram momentos de tensão, com troca de ofensas e a presença de seguranças do estabelecimento. Em um dos registros, o deputado aparece emocionalmente abalado.
Ainda no vídeo, o deputado nega qualquer intenção de violência e afirma que não faria mal à mulher. Em outros trechos, há troca de ofensas — com uso de palavras de baixo calão.
Vídeos mostram tensão e discussão
Um dos vídeos divulgados, com quase oito minutos de duração, mostra a sequência da confusão. Nas imagens, a mulher afirma que o parlamentar se recusou a sair de seu carro e que teria apresentado comportamento agressivo.
Ela relata ter se sentido coagida e afirma que precisou acionar a segurança. Em determinado momento, diz que temia que a situação pudesse evoluir para agressão.
Versão da mulher
Em outro vídeo, Lívia Borges detalha sua versão sobre o episódio. Ela afirma que o deputado estava alterado e se recusava a sair do carro, o que a levou a pedir ajuda.
Segundo o relato, a assessora do parlamentar também teria participado da confusão, com ofensas verbais e tentativas de retirá-la do local.
A mulher afirma ainda que, em meio à discussão, houve uma atitude agressiva por parte do deputado, quando um líquido teria sido arremessado em sua direção.
Deputado nega agressão e fala em extorsão
O deputado Luciano Alves se manifestou por meio de vídeo nas redes sociais. Ele negou qualquer agressão e afirmou que se sentiu ameaçado durante a situação.
“Não encostei um dedo nela. Quando entrei no carro, ela teria apresentado um valor alto. Fiquei com receio de estar diante de uma situação de extorsão”, declarou.
Versão da assessora
Em contato por telefone com a reportagem da Rádio Cultura Foz, a assessora do deputado, Letícia Mezzomo, afirmou que o episódio ocorreu durante uma confraternização com a equipe do gabinete, já que o grupo deixará as atividades por conta dos prazos eleitorais.
Ela confirmou que o deputado havia ingerido bebida alcoólica e disse que a equipe jurídica já foi acionada diante da repercussão do caso.
Segundo a assessora, foram solicitadas imagens das câmeras de segurança do local para esclarecer o ocorrido. Ela também levantou a possibilidade de que a situação possa ter sido uma “armação”, alegando que a mulher teria percebido que o parlamentar usava um bóton de deputado.
Histórico: caso semelhante em 2023
O nome de Luciano Alves já havia sido citado em outra polêmica envolvendo uma profissional do sexo, em 2023. Na ocasião, uma mulher afirmou não ter recebido pagamento após um encontro com o parlamentar.
Segundo o relato, o deputado teria prometido pagar posteriormente, o que não teria ocorrido. O caso veio à tona novamente após a nova confusão.
Partido e Câmara se manifestam
O PSD informou, por meio de nota, que repudia qualquer conduta de desrespeito ou violência e que determinou a apuração interna do caso.
A Câmara dos Deputados informou que, até o momento, não há representação formal contra o parlamentar no Conselho de Ética.
