Requião Filho critica gestão estadual e projeta disputa com quatro candidaturas

Deputado contesta "continuidade" do governo Ratinho Jr., propõe imposto zero para pequenas empresas e defende revisão da venda da Copel no Paraná.

Requião Filho concedeu entrevista ao programa Contraponto - a voz do povo (Foto: Mohamed Faahs/Rádio Cultura)

Durante entrevista ao programa Contraponto – A Voz do Povo, da Rádio Cultura, o deputado estadual Requião Filho fez uma análise do cenário político paranaense, criticou a condução do governo estadual e detalhou propostas para uma eventual candidatura ao Palácio Iguaçu.

Cenário político e críticas ao governador

Requião Filho classificou como “imaturidade política” a tentativa do governador Ratinho Júnior de se projetar nacionalmente como pré-candidato à Presidência. Segundo ele, houve erro de leitura do cenário político e excesso de confiança.

O deputado também criticou a nota oficial divulgada pelo governador ao desistir da disputa nacional, apontando falta de profissionalismo. Para ele, a justificativa de motivos familiares não convence. “Foi uma cortina de fumaça muito mal feita. Algo aconteceu ali”, afirmou, sugerindo pressões externas ou desdobramentos políticos ainda não esclarecidos.

Ele ainda usou o termo “República de Jandaia” para se referir ao núcleo próximo do governo, indicando decisões concentradas em um grupo restrito.

Estratégia eleitoral e possíveis candidaturas

Na avaliação do parlamentar, a disputa pelo governo do Paraná deve ter quatro candidaturas principais: ele próprio, Sérgio Moro, um nome dissidente do grupo governista e um candidato oficial da base atual.

Sobre o prefeito eleito de Curitiba, Eduardo Pimentel, Requião Filho afirmou que ele ainda não possui maturidade política suficiente para disputar o governo neste momento. “É um player novo e teria que trair muitos acordos”, disse.

Ele também destacou que sua pré-candidatura pelo PDT segue “construindo pontes” e ampliando alianças para consolidar um núcleo político competitivo.

Estatais: Copel e Sanepar no centro das críticas

Um dos principais pontos da entrevista foi a crítica à privatização da Copel. Requião Filho afirmou que pretende rever a medida caso chegue ao governo. “A Copel ficou cara e ruim. Perdeu seu papel de desenvolvimento social”, declarou.

Segundo ele, a empresa deixou de oferecer benefícios importantes, como tarifas reduzidas para o setor agrícola, e passou a priorizar o lucro.

Já sobre a Sanepar, o deputado criticou a falta de investimentos em captação e tratamento de água. “A água está cara e, em alguns lugares, suja. O foco virou lucro, não atendimento”, afirmou, alertando para impactos na saúde pública.

Propostas econômicas e servidores públicos

Entre as propostas, Requião Filho defende isenção total de impostos estaduais para micro e pequenas empresas até 2033. Segundo ele, o setor é responsável por 70% dos empregos no estado, mas recebe pouco incentivo.

Em contrapartida, criticou os cerca de R$ 22 bilhões em incentivos fiscais concedidos a grandes empresas. “O governo ajuda os amigos do rei, enquanto quem gera emprego fica de fora”, disse.

O deputado também denunciou a perda de poder de compra dos servidores públicos. “Mais de 50% do salário foi corroído pela inflação”, afirmou, criticando o congelamento da data-base.

Embate político e críticas a Moro

Requião Filho também fez duras críticas ao senador Sérgio Moro, especialmente pela aliança com Valdemar da Costa Neto. Segundo ele, há incoerência no discurso anticorrupção. “Ele está aliado com quem ele mesmo chamou de corrupto. Isso mostra que não há ideologia, mas um projeto individual de poder”, declarou.

Infraestrutura e fronteira

O deputado criticou o que chamou de “obras de propaganda”, afirmando que grandes investimentos no estado são realizados por Itaipu, Governo Federal ou concessões de pedágio, e não pelo governo estadual.

Ele também defendeu melhorias logísticas, especialmente na região de fronteira, com ampliação de aduanas e facilitação do transporte internacional. “Estamos travando o desenvolvimento por burocracia”, disse.

Educação e desenvolvimento

Na área da educação, Requião Filho destacou a importância das universidades estaduais como motor econômico. Segundo ele, cada R$ 1 investido retorna R$ 4 para a economia local.

Ele defendeu a valorização dos professores, investimentos em pesquisa e fortalecimento da educação básica. “Construir prédio é fácil, difícil é dar vida ao sistema”, afirmou.

Discurso político e visão de futuro

O deputado também criticou o discurso de continuidade do atual governo. Para ele, a ideia representa falta de inovação.

“O discurso de continuidade é o discurso da preguiça. É o deixa como está para ver como é que fica. O Paraná é um povo que quer mais.”

Ele ainda afirmou que o avanço de pautas da direita se deve à capacidade de convencer trabalhadores a abrirem mão de direitos. “Capturaram a imaginação das pessoas”, concluiu.

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