A alta demanda por diagnóstico e atendimento especializado para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem mobilizado famílias e ativistas em todo o país. Em Foz do Iguaçu, a realidade não é diferente. A moradora Marli Conceição da Cruz, mãe de uma criança autista e militante da causa, apresentou uma proposta legislativa que prevê a criação de centros de assistência integral em municípios com mais de 100 mil habitantes, ampliando o acesso a serviços especializados e suporte às famílias. As assinaturas serão coletadas até o dia 14 de julho. Para assinar, clique aqui.
Segundo Marli, o debate sobre o aumento de casos de autismo não é o ponto central. “Nós temos, não só em Foz do Iguaçu, mas no país inteiro, uma demanda muito alta. Uns dizem que aumentaram os casos, outros dizem que, na verdade, o que aumentou foram os diagnósticos mais precoces. Enfim, não é a questão”, afirma. A proposta sugere a implantação de unidades semelhantes ao CER IV (Centro Especializado em Reabilitação), com uma estrutura ampliada, incluindo terapias ocupacionais, musicoterapia e até atividades como natação. “De uma maneira especial que atenda familiares das crianças, porque é preciso cuidar de quem cuida”, destaca.
A iniciativa também prevê suporte direto às famílias, especialmente às mães, que frequentemente enfrentam sobrecarga emocional. Marli relata que, embora conte com apoio familiar, muitas mulheres acabam adoecendo diante da responsabilidade. “Existem muitas mães que não têm esse suporte e que estão adoecendo por conta disso”, pontua. A proposta inclui programas de orientação, redes de apoio e acompanhamento psicossocial contínuo.
Ao falar sobre os principais desafios, Marli aponta a escassez de profissionais especializados como um dos maiores entraves. “A primeira dificuldade é a falta de neurologistas e profissionais capacitados para o diagnóstico. As filas são imensas. E depois que se consegue o diagnóstico, surge outra questão: onde tratar?”, questiona. Atualmente, o atendimento em Foz do Iguaçu é concentrado no CER IV, que, segundo ela, não consegue atender toda a demanda. “Se trabalhasse 24 horas por dia, ainda assim não daria conta”, afirma.
Como alternativa, a proposta sugere parcerias com clínicas particulares para ampliar o atendimento, com apoio do Governo Federal. A ideia é garantir pelo menos uma unidade especializada a cada 100 mil habitantes — o que, no caso de Foz do Iguaçu, resultaria em pelo menos duas novas unidades. “A gente precisa parar de olhar para o problema como algo impossível e buscar soluções. Dá para fazer convênios, dá para ampliar. Eu sou muito de resolver as coisas”, ressalta.
Apesar das críticas à estrutura atual, Marli faz questão de reconhecer o trabalho dos profissionais que atuam no CER IV. “O modelo que temos hoje é maravilhoso. Os profissionais são pessoas incríveis, eu nem sei dizer se são gente ou anjos de luz”, diz. Ainda assim, ela defende a ampliação dos serviços, com abordagens mais individualizadas e terapias lúdicas, que considera fundamentais para o desenvolvimento das crianças. “Cada criança é única. No caso do meu filho, a música fez toda a diferença. Hoje, com 12 anos, ele toca vários instrumentos e já tem cinco livros prontos, sendo que o primeiro deve ser publicado em breve”, relata.
A proposta está em fase inicial de tramitação e depende de apoio popular para avançar no Senado Federal. Marli explica que é necessário atingir 20 mil votos por meio da plataforma e-Cidadania para que a ideia seja formalmente debatida. “Nesse momento, o Senado disponibilizou um link. Quem tem conta Gov pode votar e ajudar a transformar essa proposta em discussão oficial”, explica. A iniciativa busca garantir, além do diagnóstico precoce e tratamento contínuo, uma rede estruturada de apoio às famílias, com equipes multiprofissionais e políticas públicas mais eficazes. Para Marli, a causa exige urgência e compromisso coletivo. “A demanda está aí. O que precisamos é decidir como vamos enfrentá-la”, conclui.


















































