Paraná a 107.000 km/h: o “atropelo” das alianças

Entre lances atômicos e recuos estratégicos, Giacobo desembarca no projeto de Ratinho Júnior e deixa o PL em polvorosa; enquanto isso, o "efeito Moro" redesenha o tabuleiro iguaçuense.

Quem dorme com um barulho desses?

Faz muito tempo — ou parece que faz pouco — que o deputado federal Fernando Giacobo roubou a cena ao anunciar candidatura ao governo do Estado pelo PL, caso Ratinho Júnior insistisse na aventura de disputar a Presidência da República. Em um primeiro lance, o mundo (que gira a 1.670 k/h) foi surpreendido com a ida de Sérgio Moro para o Partido Liberal, o mesmo de Giacobo. Foi um acerto direto com Flávio Bolsonaro.

 

O dilema

Filiados ao PL viram-se em palpos de aranha. A maioria dos prefeitos, presidentes de Câmaras, vereadores e simpatizantes do governador juraram pela alma que abraçariam Ratinho e quem quer que ele indicasse para sucedê-lo. Em muitos casos, parecia um pacto de sangue. Enquanto isso, Sérgio Moro não pareceu ligar para o mal-estar; decerto esperava ser aceito de braços abertos em terras paranaenses. Qual o quê?

 

Velocidade brutal

E o mundo continua a girar, agora na órbita do Sol, onde a velocidade é outra: 107.000 km/h. Foi nessa toada que o governador Ratinho resolveu mudar de ideia, desistindo da corrida presidencial e de ser senador. Ao contrário do que se imaginava, preferiu ficar no Palácio Iguaçu, encabeçando a missão de derrotar Sérgio Moro!

Isso causou um rebuliço e gente do porte de Giacobo viu-se na ratoeira. O último lance atômico da política paranaense? Giacobo, a “esfinge” do PL que há poucos dias desafiava o governador, resolveu largar a mão do partido e se juntar a ele! Como diz a frase do Corvo: “A política é a arte do imprevisto”.

 

Quo Vadis?

Para onde irá o Sr. Giacobo? Dizem que a ficha no PSD está preenchida, faltando apenas a assinatura — motivo de alegria para Gilberto Kassab. Resta saber o tamanho da debandada. Há quem aposte em um movimento histórico, levando quase 50 prefeitos e vices, incluindo o General Silva e Luna, que há poucos dias riu dessa possibilidade. Vai mudar, General? Conta para nós.

 

Ricardão sábio

E quem diria: Ricardo Barros estava certo. Vai manter a família alinhada no low profile, esperando a tempestade passar. Terá chances de emplacar o PP em qualquer um dos lados com força, certamente onde houver mais prosperidade. Pelo andar da carruagem, deve somar-se à empreitada de Ratinho. E o Mac? Vai ficar “pianinho” na mesma sintonia? É provável que sim.

 

“Dupla de dois?”

Ontem circulou a informação de que Paulo Mac estaria articulando uma dobradinha com o vereador Sidnei Prestes: o ex-prefeito para Federal e o parlamentar para a ALEP. Após uma passagem pela Câmara que dividiu opiniões, resta saber se o eleitorado carimbaria esse passaporte.

O Corvo, que não dorme de touca, foi apurar: nos bastidores, dizem que a ideia carece de fundamento. Ao que tudo indica, Paulo buscaria (se fosse candidato) um nome com musculatura política mais robusta. Enquanto isso, o futuro de Sidnei no Mobiliza segue sob neblina; o desafio será encontrar uma legenda que o receba com o entusiasmo esperado.

 

De onde saem tantos candidatos?

Taí uma boa pergunta. Essa gente encara eleição por várias razões: manter-se em evidência, fazer vitrine, somar votos para a legenda ou, se tudo der errado, beliscar uma “tetinha” com os eleitos. Quem vive da política, em geral, pensa assim. Mas há uma minoria consciente, que entende a política de forma sensível — sem a qual tudo segue ladeira abaixo.

Por hoje, está de bom tamanho. Uma ótima quarta-feira a todos!

 

Rogério Romano Bonato publica a coluna No Bico do Corvo com exclusividade para o portal Almanaque Futuro e meios eletrônicos da Rádio Cultura de Foz do Iguaçu

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