Dr. Ranieri assume liderança do governo na Câmara com foco em consenso e redução de vetos

Em entrevista à Rádio Cultura, vereador do Republicanos admite que gestão "apanhou" no primeiro ano, critica nota zero do TCE e projeta articulação política mais técnica para 2026.

Foto: Christian Rizzi-CMFI

O vereador Dr. Ranieri Marchioro (Republicanos) detalhou, em entrevista ao programa Contraponto – a voz do povo, da Rádio Cultura, as diretrizes de sua nova missão como líder do governo na Câmara Municipal. Assumindo o posto em um momento de transição e críticas externas, Ranieri aposta em um perfil conciliador para destravar a pauta legislativa e melhorar a interlocução entre o Palácio das Cataratas e o Legislativo.

Fim dos Conflitos e Foco no Consenso

Ranieri assume a liderança com a tarefa de unificar uma base que hoje oscila entre 8 e 10 votos favoráveis. Para o parlamentar, o período de confrontos entre grupos como o “G9” e o “G6” ficou para trás.

“Meu papel não é buscar adversários dentro da Câmara, mas ser um interlocutor que ajuda a construir soluções. O G9 existiu, mas hoje vejo um esvaziamento desses movimentos em prol do interesse público”, afirmou. Uma das metas do novo líder é criar uma “força-tarefa” para discutir projetos com o Executivo antes mesmo da votação, evitando o desgaste de vetos totais por inconstitucionalidade ou falta de adequação técnica.

Autocrítica e Transição na Gestão

Com a experiência de quem viveu o primeiro mandato em 2025, Ranieri foi franco ao avaliar o desempenho da administração municipal até aqui. “Sendo bastante honesto, eu acho que nós ‘apanhamos’ um pouco nesse primeiro ano. Houve muitas trocas de secretariado e isso demonstra que as coisas não andaram bem no início”, admitiu.

O vereador acredita que 2026 será o “ano das entregas”, refletindo um amadurecimento tanto do prefeito — que estaria mais aberto a ouvir e delegar — quanto dos 10 vereadores de primeiro mandato, que superaram a curva de aprendizado inicial sobre o funcionamento da máquina pública.

A Polêmica da “Nota Zero” do TCE

Ranieri também comentou a recente avaliação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR), que deu nota zero à Câmara de Foz no quesito fiscalização. Para ele, a nota é “injusta e desnecessária”.

“O tribunal mudou a metodologia e o corpo administrativo da Câmara ‘comeu bola’ no preenchimento dos novos mecanismos de controle. Isso não significa que não houve fiscalização, mas que ela ainda não estava organizada dentro do novo método científico exigido. É um erro de sistema, não de trabalho”, defendeu.

Fiscalização e Independência

Mesmo na condição de líder do governo, o vereador assegurou que manterá sua independência parlamentar, especialmente em temas sensíveis como as CPIs em curso (Livro e Foztrans). Sobre a possível CPI do Asfalto, Ranieri defendeu que a investigação deve retroagir mais de cinco anos para ser tecnicamente justa.

“Minha primeira função é ser vereador, legislar e fiscalizar. Se eu tiver que falar ‘não’ para o prefeito em benefício da coletividade, eu direi. Quero ser um líder que dá visibilidade aos bons projetos, mas que mantém o rigor técnico”, concluiu.

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