Representantes do setor de transporte rodoviário de cargas se reuniram na manhã desta segunda-feira (16), para discutir questões relacionadas ao transporte internacional na região da tríplice fronteira, especialmente sobre a atuação dos chamados “caminhõenzinhos”.
A Receita Federal solicitou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) o adiamento do prazo de regulamentação, previsto para começar hoje (16), para evitar paralisações ou greves no setor neste momento. Ficou definido que o Paraguai terá até o dia 30 de abril para concluir a regulamentação necessária. A partir dessa data, caminhões e empresas que não estiverem devidamente regularizados não poderão mais realizar transporte internacional.
Paralelamente, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Foz do Iguaçu e outras entidades de várias partes do Brasil manifestaram preocupação com a possibilidade de liberação do tráfego de veículos leves na Ponte da Integração Brasil–Paraguai. Segundo os representanres do setor, o planejamento inicial do Paraguai previa a circulação de caminhões apenas no período noturno, entre 22h e 5h, mantendo o trânsito de veículos leves durante o dia.
Os sindicatos destacam que a Ponte da Integração foi concebida prioritariamente para o transporte de cargas, com o objetivo de reduzir os gargalos logísticos da Ponte da Amizade e melhorar o fluxo do comércio internacional na região. A obra foi financiada integralmente pela Itaipu Binacional e considerada estratégica para a logística regional. Na avaliação dos transportadores, permitir a circulação de veículos leves pode comprometer essa finalidade e agravar a situação enfrentada pelos caminhoneiros, que frequentemente passam dias em filas de espera, sem estrutura adequada para descanso, alimentação, higiene e segurança.
Ainda conforme os sindicatos, muitos motoristas permanecem estacionados em acostamentos ou áreas improvisadas, expostos ao calor intenso da região de fronteira entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco. As entidades afirmam que essa realidade afeta a saúde, a segurança e a dignidade dos profissionais, além de impactar a eficiência do transporte internacional de mercadorias.
Diante desse cenário, os sindicatos defendem que, até a conclusão da ponte sobre o Rio Monday, no Paraguai, a Ponte da Integração opere das 7h às 19h exclusivamente para o transporte de cargas. Caso seja autorizada a circulação de veículos leves ou não haja alteração no horário de funcionamento, os representantes do setor alertam para a possibilidade de uma paralisação por tempo indeterminado, em defesa das condições de trabalho dos caminhoneiros e da eficiência logística na região de fronteira.
De acordo a Receita Federal, a abertura da Ponte da Integração para o tráfego de veículos é discutida no âmbito da Comissão Mista Brasil-Paraguai, do Ministério das Relações Exteriores de ambos os países.
