O trânsito já conhecido pela mistura intensa de veículos brasileiros, paraguaios e argentinos nas ruas de Foz do Iguaçu também revela outro problema: o grande volume de multas que acabam sem pagamento. Nos últimos cinco anos, motoristas estrangeiros acumularam cerca de R$ 42 milhões em infrações de trânsito aplicadas no perímetro urbano da cidade.
Desse total, aproximadamente R$ 37 milhões são de veículos do Paraguai e R$ 5 milhões de condutores da Argentina. O principal desafio, segundo o Instituto de Transportes e Trânsito de Foz do Iguaçu (Foztrans), é conseguir efetivamente cobrar essas dívidas, já que muitos motoristas retornam aos seus países logo após cometer as infrações.
Na prática, a punição só acontece quando o condutor volta a circular pela cidade e acaba sendo abordado em alguma fiscalização. Por isso, o Foztrans tem intensificado operações nas proximidades das aduanas nas fronteiras com Paraguai e Argentina, geralmente em parceria com a Polícia Rodoviária Federal.
Mesmo assim, o resultado ainda é limitado. Em média, cada blitz aborda cerca de 30 veículos e recupera um valor pequeno diante do montante acumulado.
Quando um veículo estrangeiro com pendências é identificado, os agentes fazem a notificação e o automóvel pode ser retido até que a multa seja paga. Caso o motorista não quite o débito no momento da abordagem, o veículo pode ser removido ao pátio do instituto até a regularização.
As infrações mais comuns registradas entre condutores estrangeiros são excesso de velocidade e avanço do sinal vermelho, situações que aumentam os riscos no trânsito urbano.
Outro dado que chama atenção é o número de infrações cometidas por motociclistas. Em um dos casos registrados pelo Foztrans, uma única motocicleta acumula 263 multas, somando cerca de R$ 83 mil em débitos. Em outro, um veículo registra 283 infrações, com dívida aproximada de R$ 76 mil.
Os números reforçam uma percepção comum entre quem circula diariamente pela cidade: para muitos motoristas estrangeiros, a sensação de que dificilmente serão cobrados acaba incentivando o desrespeito às regras de trânsito. Enquanto isso, o município segue tentando recuperar ao menos parte dessa dívida nas poucas oportunidades em que esses veículos voltam a cruzar a fronteira.
