Delegada fala sobre queda no feminicídios no Paraná e reforça importância da denúncia

Chefe da Delegacia da Mulher de Foz do Iguaçu, Giovanna Antonucci Brito Oliveira afirma que redução é resultado de políticas públicas de prevenção e incentivo à denúncia.

Foto: Divulgação

A divulgação de dados que apontam queda nos casos de feminicídio no Paraná foi recebida com entusiasmo por quem atua diariamente no combate à violência contra a mulher. Em Foz do Iguaçu, a delegada-chefe da Delegacia da Mulher, Giovanna Antonucci Brito Oliveira, em entrevista a Rádio Cultura destacou que os números refletem o resultado de políticas públicas voltadas à prevenção.

Segundo a delegada, a redução é consequência de um conjunto de ações que envolvem diferentes instituições e programas de proteção às mulheres.

“Eu recebo com muita alegria, com muita felicidade esses dados. Isso é fruto de políticas públicas voltadas no intuito de diminuir realmente que se chegue a um feminicídio, de que a mulher se previna e já faça a denúncia antes de chegar a tal ato”, afirmou.

Situação em Foz do Iguaçu

Apesar da redução no estado, Foz do Iguaçu registrou um pequeno aumento no número de casos em comparação ao ano anterior. Em 2024 foram dois feminicídios e em 2025 três casos foram contabilizados.

Mesmo assim, a delegada ressalta que as políticas de prevenção têm contribuído para salvar vidas.

“Eu entendo que a diminuição dos feminicídios é fruto da política pública do secretário de Segurança Pública, que tem um olhar muito específico à pauta da mulher. Isso é resultado da Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar, das visitas realizadas, do fortalecimento da Delegacia da Mulher em todo o Paraná e também de palestras de prevenção e conscientização”, explicou.

Aumento das denúncias

Outro dado observado pelas autoridades é o aumento no número de registros de ocorrência. Para a delegada, isso demonstra que mais mulheres estão procurando ajuda antes que a violência evolua.

“Isso é resultado de uma política de prevenção em que a gente informa e orienta as mulheres de que elas podem estar sendo violentadas antes de chegar a uma agressão física. Ao primeiro sinal de violência, denuncie. Não pague para ver. Rompa o ciclo de violência”, orientou.

Crimes mais registrados

De acordo com a delegada, entre os crimes mais registrados estão lesões corporais, ameaças, injúrias e casos de violência psicológica.

“Quando verificamos os dados, vemos um alto índice de lesões corporais, de violência física, mas também muitos registros de ameaça, injúria e violência psicológica contra a mulher”, disse.

Reincidência e ciclo da violência

A reincidência ainda é uma realidade em muitos casos, principalmente por causa do chamado ciclo da violência.

“Muitas mulheres costumam perdoar o agressor. Existe uma fase chamada de ‘lua de mel’, em que ele volta a ser carinhoso. Por isso é comum que a mulher solicite uma medida protetiva e depois queira retirar o pedido após uma reconciliação”, explicou.

Para a delegada, além de proteger as vítimas, também é necessário trabalhar na ressocialização dos agressores.

“Precisamos acolher e proteger as vítimas, mas também tratar o agressor. Muitas vezes ele é fruto de uma cultura machista que precisa ser desconstruída”, afirmou.

Violência atinge todas as mulheres

Segundo a delegada, a violência doméstica não escolhe perfil.

“Costumo dizer que a violência doméstica é a violência mais democrática que existe, porque atinge todas as mulheres: ricas, pobres, de todas as classes sociais, raças e etnias”, destacou.

Casa da Mulher Brasileira

A delegada também comentou sobre a possível implantação da Casa da Mulher Brasileira em Foz do Iguaçu, iniciativa que reunirá vários serviços de atendimento em um único espaço.

“A Casa da Mulher Brasileira é um complexo que vai abrigar todas as instituições voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher. Isso evita que a vítima tenha que ir a vários lugares diferentes para buscar ajuda”, disse.

Trabalho de prevenção

Além do trabalho policial, Giovanna também tem investido em ações educativas, com palestras em escolas e empresas.

“Eu sempre digo que 90% do meu trabalho é prevenção e 10% repressão. Quando conscientizamos as mulheres antes, muitas conseguem sair do relacionamento abusivo antes que aconteça algo mais grave”, afirmou.

Mensagem às mulheres

Para encerrar, a delegada deixou um recado às mulheres.

“Você é importante para alguém. Para seus filhos, para sua família. Não fique em um relacionamento abusivo por qualquer motivo. Rompa o ciclo de violência. A Delegacia da Mulher está de portas abertas para te orientar e te ajudar”, concluiu.

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