Em meio aos desafios reais enfrentados por Foz do Iguaçu — da pressão sobre a saúde pública ao eterno debate sobre os buracos que insistem em atrapalhar a vida dos motoristas — uma parte da produção legislativa da Câmara tem seguido um caminho, digamos, mais festivo.
A vereadora petista Valentina Rocha tem apresentado uma sequência de projetos de lei que propõem incluir eventos e datas comemorativas no Calendário Oficial do Município. A lista já contempla o Dia Municipal do Flash Back, a Semana Municipal do Hip Hop, o evento Miss Falls Internacional e o festival de rock MegaRock.
Uma das primeiras propostas institui a Semana Municipal do Hip Hop, programada para ocorrer na segunda semana de novembro. A justificativa destaca a importância cultural do movimento, seus quatro elementos — MC, DJ, grafite e break dance — e o potencial de inclusão social por meio da cultura urbana.
Na sequência, veio o projeto do Dia Municipal do Flash Back prevê comemoração anual em 5 de novembro, com o objetivo de valorizar músicas das décadas de 1970, 1980 e 1990, além de incentivar atividades culturais e eventos de dança. A proposta menciona inclusive a existência de grupos organizados na cidade dedicados ao estilo.
Mas a pauta cultural da vereadora não para por aí. Outro projeto pretende oficializar o evento Miss Falls Internacional, um concurso de beleza com foco na integração cultural entre países e na promoção turística de Foz do Iguaçu.
Para completar o pacote, há ainda a proposta de reconhecer o MegaRock, festival dedicado ao rock e à música alternativa, criado em 2018 e que reúne bandas independentes da região.
Em comum, todos os projetos seguem a mesma fórmula: incluem eventos no calendário oficial sem criar despesas obrigatórias diretas ao município. Na prática, trata-se de um tipo de proposição relativamente simples de tramitar, já que não interfere na estrutura administrativa nem exige previsão orçamentária imediata.
É o tipo da iniciativa comumente classificada como “legislação simbólica” — aquela que gera reconhecimento formal a determinadas atividades, mas produz efeitos práticos limitados na gestão pública. Porém, há quem defenda que o reconhecimento institucional de eventos culturais ajuda a fortalecer a identidade local, estimular o turismo e apoiar movimentos culturais da cidade.
Enquanto o debate segue, uma coisa é certa: se depender do ritmo atual de proposições, o calendário oficial de Foz do Iguaçu pode ficar cada vez mais animado. Resta saber se a agenda festiva virá acompanhada, com a mesma intensidade, de propostas voltadas aos problemas estruturais da cidade.
