Na manhã desta terça-feira (3), o Chefe Titular Raul Messias Lessa, da Polícia Científica do Paraná em Foz do Iguaçu, concedeu entrevista à Rádio Cultura para esclarecer como funciona o trabalho pericial em casos complexos, como a explosão registrada em um apartamento na Vila Yolanda, no dia 26 de fevereiro.
Segundo ele, a atuação da Polícia Científica é fundamental para determinar as causas do incidente e mensurar a extensão dos danos estruturais.
Atuação técnica e independente
Logo no início da entrevista, Lessa explicou o papel da instituição:
“Inicialmente é importante esclarecer que a Polícia Científica é o órgão de natureza pericial criminal do Estado do Paraná. Sempre que há interesse criminal e necessidade de perícia, a Polícia Científica é acionada.”
No caso da explosão, a equipe foi requisitada pela Polícia Civil do Paraná na sexta-feira (27), responsável pela condução do inquérito policial.
“Fomos acionados para tentar determinar qual foi a causa desse incêndio, dessa explosão, bem como verificar a extensão do dano ocorrido não somente no imóvel envolvido, mas em toda a estrutura do prédio.”
Perícia complexa e novas diligências
De acordo com o chefe titular, o trabalho não é simples, já que envolve análise estrutural de um prédio inteiro.
“É um caso extremamente complexo. Ontem foi realizada uma perícia preliminar. Hoje a equipe retorna ao local para complementar os trabalhos e não está descartada a necessidade de novas perícias.”
Ele reforça que a investigação técnica pode exigir múltiplas etapas, dependendo do que for encontrado durante as análises.
Prazo para conclusão do laudo
Sobre o prazo para entrega do laudo pericial, Lessa destacou o que prevê o Código de Processo Penal:
“O prazo legal é, em regra, de 10 dias. Mas em uma situação complexa como essa, que envolve engenharia forense e perícia de incêndio, certamente demandará mais tempo.”
A previsão inicial é de aproximadamente 30 dias para que o laudo seja concluído e entregue à Polícia Civil, que dará sequência ao inquérito.
Hipótese de explosão de gás será analisada
Muito comentada nos últimos dias, a possibilidade de vazamento de gás também será investigada, mas não é a única linha de apuração.
“O perito trabalha com hipóteses, claro, mas principalmente com vestígios. Ele vai observar fiação, encanamento, a estrutura do imóvel. A hipótese de vazamento de gás será analisada, mas outras possibilidades não estão descartadas.”
Segundo Lessa, a perícia busca identificar onde e como o evento teve início, com base em evidências técnicas encontradas no local.
O que faz a Polícia Científica?
Durante a entrevista, Raul Lessa também explicou as áreas de atuação da instituição, que hoje é independente da Polícia Civil, seguindo diretrizes internacionais de imparcialidade pericial.
“O papel da Polícia Científica é promover a prova material. Ela produz a prova técnica que vai robustecer a investigação.”
Entre os principais serviços realizados estão:
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Perícias em locais de morte
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Exames balísticos e confronto de projéteis
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Identificação veicular
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Medicina legal e necrópsias
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Exames de DNA
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Antropologia forense
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Perícias em casos de violência sexual
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Computação forense
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Grafotecnia e análises documentais
A unidade de Foz do Iguaçu atende 10 municípios da região Oeste do Paraná, embora alguns exames específicos sejam centralizados na capital, Curitiba.
Análises devem ocorrer em Foz
Questionado se o material coletado precisará ser enviado à capital, Lessa afirmou que, até o momento, os exames serão realizados na própria cidade.
“Até o presente momento, tudo indica que a perícia será processada aqui em Foz do Iguaçu. Contamos com recursos pessoais e tecnológicos para isso.”
Ele ressalvou, no entanto, que caso surja necessidade de análises muito específicas — como exames avançados de computação forense — o material poderá ser encaminhado a Curitiba.
Ao final da entrevista, o chefe titular agradeceu o espaço e reforçou o compromisso técnico da instituição:
“A prova pericial é uma das provas que compõem a investigação. Nosso papel é garantir que essa prova material seja produzida com técnica, imparcialidade e responsabilidade.”
A investigação segue em andamento.



















































