A recepcionista Estéfane Winkelmann, moradora do segundo andar do prédio onde ocorreu a explosão e o incêndio que destruiu completamente um apartamento na madrugada da última quinta-feira (26) foi uma das moradoras que retirou acompanha de agentes da defesa civil, alguns pertences na manhã desta sexta-feira (27).
Muito emocionada e acompanhada dos pais, ela contou como viveu os momentos de desespero na noite do incêndio. Abalada, ela afirma que ainda não conseguiu retomar a rotina.
“É a terceira vez que eu venho aqui depois do ocorrido. Eu chego na porta e já quero chorar. Foi um susto muito grande. Não estou conseguindo dormir, qualquer barulho já me assusta”, relatou.
O apartamento dela fica dois andares abaixo de onde houve a explosão. Segundo Estéfane, o impacto foi tão forte que parecia que o prédio inteiro havia chacoalhado.
“Eu estava sentada no sofá assistindo TV quando aconteceu a explosão. Ouvi muitos gritos, criança gritando, mãe chamando filho. Meu namorado viu um clarão antes do barulho. Quando olhei pela janela da cozinha, só vi fogo”, contou.
Fuga às pressas
Desesperada, ela pegou o cachorro e saiu do prédio apenas com a roupa que estava usando.
“Desci de pijama mesmo. Tinha vidro quebrado por todo lado. A gente só pensou em sair. Quando já estávamos lá fora, o rapaz já tinha saído também, todo machucado. Eu só pensava que o prédio inteiro ia explodir.”
Ela disse que estava tremendo tanto que precisou pedir ajuda para retirar o carro da garagem. Uma vizinha fez isso por ela.
“Os bombeiros chegaram muito rápido, graças a Deus, e conseguiram conter o fogo depois de um tempo.”
Apartamento intacto, mas sem previsão de retorno
Apesar do susto, o apartamento de Estéfane não sofreu danos estruturais graves.
“Eu tive sorte. Meus móveis estão intactos, não tem cheiro forte. Só tem um pouco de água por causa do trabalho dos bombeiros. Mas estou tirando todas as minhas coisas porque não tem previsão de quando vamos voltar.”
Ela destaca que outros apartamentos ficaram mais prejudicados, especialmente o que fica em frente ao local da explosão. “Vi que a janela estourou, o ar-condicionado caiu. No andar de cima do meu também deve ter estragos, tem até ar-condicionado pendurado.”
Medo de vazamento de gás
Estéfane contou que sempre teve receio de acidentes com gás e, por isso, optou por usar fogão de indução.
“Sempre tive medo de vazamento. A gente vê essas notícias. Quando me mudei, falei que não teria fogão a gás. Nunca senti cheiro nem tive problema.”
Ela mora no apartamento há cerca de seis meses.
Rede de apoio entre moradores
Sem previsão de retorno aos apartamentos, alguns moradores precisaram buscar abrigo temporário. Estéfane está na casa dos pais, mas nem todos tiveram a mesma alternativa.
“No grupo do condomínio, o pessoal começou a oferecer ajuda na mesma noite. Teve morador dizendo que tinha espaço no quarto. Apesar de serem apartamentos pequenos, na hora do desespero sempre aparece alguém para ajudar.”
A Defesa Civil ainda não informou quando os moradores poderão retornar ao prédio. “É tudo muito recente, ainda tem laudos para sair. Agora é tirar as coisas e seguir a vida”, concluiu.
