Especulato geral
O vírus eleitoral tem uma capacidade de contágio impressionante: ele não pede licença, gruda na pele e, quando você percebe, a cidade inteira já está febril. O processo é lento, gradual e, invariavelmente, regado a vazamentos oportunos. Desta vez, circula uma suposta folha de anotações — de próprio punho, dizem — do senador Flávio Bolsonaro. No papel, um raio-X das capitanias hereditárias do Brasil. O Paraná, como não poderia deixar de ser, aparece com destaque e por razões que, para o “01”, são agravantes. No rascunho, nomes como Sérgio Moro e Guto Silva (este devidamente carimbado como o “homem do Ratinho”) dividem espaço com uma observação lateral que parece um grito de Valdemar Costa Neto: “Giacobo não pode ser candidato”.
Parto natimorto?
Ora, o que é isso? A pré-candidatura de Fernando Giacobo já nasce com certidão de óbito assinada pelo parteiro do PL? Valdemar, que no fim das contas é quem decide a maternidade do mundo político e quem fica pelo caminho, parece querer abortar o plano. Uma pena. Pela primeira vez, Foz do Iguaçu teria um candidato ao governo com potencial real de bagunçar o coreto das urnas. Sim, para quem esqueceu, o domicílio eleitoral do homem é aqui nas barrancas do Rio Paraná.
Pensemos:
Giacobo candidato, amarrado ao sobrenome Bolsonaro em um estado que ainda ostenta o rótulo de “bolsonarista raiz”, apoiado por uma legião de prefeitos e com um vice forte na capital… não faria barulho? Faria um estrondo! O surgimento desses “papeletes” providenciais para desviar o nome dele da disputa é o maior sintoma de que a coisa é séria. Ontem, provocado por este colunista, ele disparou: “Serei candidato a governador caso o Ratinho saia para Presidente”. Anotem.
A letra de médico e o mapa da bagunça
Ainda tentando decifrar a “letra de médico” (ou seriam hieróglifos?) de Flávio Bolsonaro no que tange ao Senado, o cenário é de guerra. Aparecem Filipe Barros (PL), Cristina Graeml (PMB) e Deltan Dallagnol. Ao lado de Filipe, a ordem é clara: “Conversar – só apoiamos ele”. Para Cristina, o veredito é curto: “Não dá, atrapalha o Filipe”. E sobre Deltan, a pérola: “Candidato do Ratinho, 1º nas pesquisas, TSE garante”. É o mapa da mina — ou da mina terrestre — que habita a cabeça do primogênito do clã.
Incomodação?
O Paraná incomoda Flávio porque Ratinho Júnior insiste em demonstrar uma firmeza presidencial que atrapalha o tabuleiro do primogênito do “faraó”. Ignorar a força de Giacobo pode ser o erro fatal de Valdemar. Ele corre o risco de desmontar um projeto feito sob medida para dar um nó na cabeça do Governador.
O passeio das vaidades
Saindo do Olimpo brasiliense e caminhando pelo asfalto derretendo em Foz, as pré-candidaturas dividem-se entre as “levadas a sério” e as “piadas de boteco”. Não falo de pesquisas, que por enquanto são apenas horóscopos políticos, mas do termômetro das esquinas. Giacobo e Vermelho estão no trecho. Pulverizam as ervas daninhas, adubam o solo e, como galinhas, beliscam cada grão que cai dos caminhões da política. Luciano Alves vai precisar de fôlego. Longe da telinha, o brilho ofusca. A estratégia agora é tentar um “migué” e grudar no Ratinho Jr. para ver se sobra algum prestígio. Paulo Mac Donald segue no seu eterno “chove não molha”. O eleitorado espera o trovão, mas por enquanto é só garoa.
A briga de facão na ALEP
Dizem que ser Deputado Estadual é fácil. Ledo engano. Conseguir a legenda é uma coisa; buscar voto no interior é briga de facão no escuro em território alheio. Matheus Vermelho tem feito o dever de casa: pega carona com o papi e nas ações do Estado. Se o “trem da alegria” do governo passa por Foz, ele está na janelinha, sorrindo para a foto. Parece ter lugar cativo na “Ratolândia”, embora ainda seja cedo para o beija-mão definitivo.
O clone de Foz
E o que dizer de Deoclecio Duarte? O homem desponta na boca do povo com uma agenda que desafia as leis da física. Aparece em Capanema e, quase simultaneamente, em Guaraniaçu. Como não anda de helicóptero e o teletransporte ainda não foi inventado, suspeito que ele tenha um clone. Se não for isso, merece o Nobel de Tecnologia. Se houver um churrasco de paróquia ou bondinho de festa, pode apostar: Deoclecio estará lá, no meio do povo.
Silêncio, egos e churrasco
Enquanto uns gritam, Fernando Duso trabalha em silêncio. E o silêncio, na política, costuma ser um perigo, para os adversários. É o nome da centro-esquerda que mais se mexe nos bairros. Já o vice, Ricardinho, anda apagado, pisando em ovos e desviando de cascas de banana — talvez temendo o teste de popularidade do General. Quanto aos nossos vereadores, dizem que 80% querem ser candidatos. Um conselho: cuidado. No quesito carisma, muitos estão “por baixo de barriga de cobra”. Não adianta inaugurar ônibus ou sentar na janelinha; a atual Legislatura precisa de muito mais para cruzar a linha vermelha da credibilidade.
A festa do ano
Para encerrar, o comércio de Foz e até de Ciudad del Este agradece ao deputado Vermelho. É um tal de madame comprando sapato e homem aparando a barba que parece preparação para o Oscar. O motivo? O aniversário do homem, neste sábado. A lista, que começou seleta, cresceu tanto que a churrascaria já está aparando a grama do terreno vizinho para colocar mais mesas. Dizem que a solução será fretar o Rafain para dar conta do recado. É o “efeito Vermelho”: o povo vai porque gosta mais do aniversariante do que do espeto corrido. Tomara que ele dê uma canja na gaita para animar os penetras.
Uma boa quinta-feira a todos!
Rogério Romano Bonato adora política quando é bem feita, articulada, com gente séria no meio. A coluna No Bico do Corvo é publicada com excluisividade pelo portal Almanaque Futuro e meios eletrônicos da Rádio Cultura de Foz do Iguaçu.
