Justiça dá 48h para Analgefoz recompor equipe de anestesistas do Hospital Municipal

Empresa afirma manter diálogo permanente com Município; secretário de Saúde diz que dois profissionais estão atuando e um terceiro deve iniciar em março.

O Hospital Municipal Padre Germano Lauck enfrenta uma das mais graves crises recentes no atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ontem (24), a Justiça determinou que a Clínica Analgefoz Ltda., que mantém contrato de prestação de serviços com o Município, restabeleça, no prazo de 48 horas, a escala completa de médicos anestesiologistas na unidade, sob pena de multa diária de R$ 5 mil. Segundo o secretário municipal de Saúde, Fábio de Mello, o hospital atualmente opera com dois anestesistas, e um terceiro profissional deve iniciar atendimento em março.

A decisão é do juiz Rodrigo Luis Giacomin, em ação civil pública movida pelo Ministério Público do Estado do Paraná. O magistrado entendeu que a redução na escala compromete o funcionamento do centro cirúrgico e representa risco ao direito à saúde da população.

Desde o início do ano, a empresa reduziu o número de anestesistas de quatro por plantão para apenas um. Segundo a direção do hospital, a justificativa foi a diminuição no quadro de profissionais associados e afastamentos por problemas de saúde.

Antes da redução, o hospital realizava, em média, 25 cirurgias por dia. O número caiu para aproximadamente 12 procedimentos diários, com prioridade para casos de urgência. Cirurgias eletivas foram adiadas e pacientes mais graves passaram a ser transferidos. Atualmente, com a chegada de um novo profissional, algumas cirurgias eletivas foram retomadas.

A empresa, que atua também sob o nome comercial Asense, mantém atendimento regular em outras unidades da cidade. No Hospital Itamed, por exemplo, seguem cinco anestesistas por plantão. No Hospital Unimed Foz do Iguaçu, as cirurgias continuam sem redução.

Após a decisão judicial, a Analgefoz informou que está “em contato permanente, buscando construir soluções”. Em manifestação anterior, a empresa havia declarado que manteria a redução dos serviços conforme previsão contratual.

Para tratar do cumprimento da decisão, está prevista para hoje (25) uma reunião entre os médicos e a direção do hospital, a fim de definir a reorganização da escala dentro do prazo de 48 horas determinado pela Justiça.

 

 

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