Segundo paciente recebe aplicação de Polilaminina na região Oeste

Hospital de Cascavel realizou procedimento por uso compassivo da medicação

Fotos: HUOP

O Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel viveu um momento histórico no último sábado (21) ao realizar a aplicação da Polilaminina em um paciente com lesão medular grave. O procedimento marca o segundo caso na região Oeste do Paraná a receber a terapia experimental por meio de uso compassivo autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O primeiro também aconteceu no fim de semana, no Hospital Unimed, em Foz do Iguaçu.

O paciente, Wagner Felipe de Lima, de 23 anos, sofreu um acidente recente que resultou em trauma raquimedular grave. Ele passou por cirurgia de descompressão das vértebras T3 e T4, além do tratamento de ruptura da T3. Após estabilização clínica, a equipe médica avaliou que ele preenchia os critérios necessários para solicitar a aplicação da Polilaminina.

A autorização ocorreu por meio do mecanismo de uso compassivo, que permite o acesso a terapias experimentais em situações específicas, quando não há alternativas eficazes disponíveis e o paciente atende a critérios rigorosos.

Terapia experimental baseada em pesquisa científica

A Polilaminina é desenvolvida pelo Laboratório Cristália, a partir de pesquisas lideradas pela Dra. Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O neurocirurgião e professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Dr. Lázaro de Lima, explicou que a indicação foi cuidadosamente analisada.

“Ele sofreu um acidente recente, passou pela descompressão de T3 e T4 e tratamento da ruptura de T3. Após a estabilização, avaliamos que ele tinha critérios para receber a Polilaminina. Organizamos toda a documentação necessária e solicitamos à Anvisa a liberação para uso compassivo.”

A proposta do produto é atuar como uma matriz biológica capaz de favorecer a reconexão neural, criando um ambiente mais propício para a regeneração das fibras nervosas lesionadas. Ainda não se trata de um tratamento aprovado comercialmente, mas de uma alternativa experimental baseada em anos de pesquisa.

União entre assistência, ensino e pesquisa

Coordenador do curso de Medicina da Unioeste, Marcius Benigno M. dos Santos destacou o impacto acadêmico do procedimento.

“Aqui conseguimos unir assistência, ensino e pesquisa. A residência é uma força fundamental dentro do hospital, e participar de um estudo como esse transforma a formação desses médicos. É preciso manter os pés firmes na ciência, porque ainda é uma fase inicial, mas sem nunca perder a esperança.”

O médico Arthur Luiz Freitas Forte, integrante da equipe de pesquisa, reforçou a responsabilidade envolvida.

“O paciente e a família foram informados de que o medicamento ainda está em fase inicial de estudo. Existe um protocolo rigoroso. Não se trata de promessa, mas de possibilidade científica.”

Procedimento de alta precisão

O neurocirurgião Bruno Cortês, do Hospital Souza Aguiar, participou da padronização da técnica e detalhou a complexidade da aplicação.

“A aplicação é feita em dois pontos específicos, um acima e outro abaixo da lesão. A ideia é criar uma rede de sustentação que favoreça a reconexão. É um procedimento milimétrico, que exige precisão absoluta.”

Em lesões medulares agudas, como a do paciente, o fator tempo é determinante. Antes da formação de fibrose extensa — uma cicatriz que dificulta a regeneração — existe uma “janela biológica” que amplia as possibilidades de intervenção precoce.

Acompanhamento rigoroso e reabilitação

Após a aplicação, Wagner seguirá sob acompanhamento clínico intensivo, com exames periódicos, avaliações neurológicas e reabilitação multiprofissional. A fisioterapia intensiva será parte essencial do processo, buscando identificar possíveis respostas motoras e sensitivas.

Antes do procedimento, o jovem demonstrou confiança.

“A gente tem que ter esperança, né? Esperança nunca deve morrer. Eu acho que vai dar tudo certo. Pelas pesquisas que eu andei vendo, os resultados podem ser bons.”

Protagonismo institucional

O diretor-geral do HUOP, Rafael Muniz de Oliveira, destacou o papel da instituição.

“O HUOP tem sido pioneiro nos últimos anos em diversas ações, foi assim durante a pandemia da COVID-19 e agora com a aplicação da Polilaminina. Nossa equipe está sempre em busca de recursos que a ciência nos possibilita, dando prioridade para o paciente e para toda nossa região.”

O diretor administrativo, Rodrigo Barcella, reforçou o compromisso institucional.

“Para um hospital universitário, unir assistência, ensino e pesquisa é essencial. Participar de uma aplicação como essa coloca a instituição em posição de protagonismo científico, mas, acima de tudo, reforça nosso compromisso com cada paciente.”

Já o reitor da Unioeste, Alexandre Almeida Webber, destacou a relevância acadêmica do momento.

“É importante a nossa universidade, junto com o hospital universitário, estar nessa pesquisa. Isso demonstra o papel do hospital de estar à frente em tudo que há de mais avançado.”

Quando as portas do centro cirúrgico se fecharam, não era apenas o fim de um procedimento, mas o início de uma nova etapa marcada por acompanhamento, reabilitação e expectativa.

Mais do que um avanço técnico, o momento simboliza a força de uma instituição pública que integra ciência, ensino e compromisso social para transformar realidades — mantendo viva a essência da medicina: cuidar, inovar e acreditar na possibilidade de recomeços.

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