Há escritores que contam histórias. E há aqueles que nos ensinam a atravessar o mundo — mesmo quando ainda estamos sentados.
Júlio Verne foi assim. Nascido em 1828, na França, ele ousou imaginar e escrever sobre o que ainda não existia. Sonhou com viagens à Lua antes que a NASA transformasse o sonho em pegadas na poeira lunar. Imaginou submarinos em profundezas insondáveis em Vinte Mil Léguas Submarinas. Fez o mundo caber dentro de um balão, de um foguete, de uma aposta.
Mas talvez sua maior aventura tenha sido nos ensinar que o desconhecido não é um lugar — é um impulso.
Quando publicou A Volta ao Mundo em Oitenta Dias, em 1873, o planeta ainda parecia imenso. O tempo era medido em trilhos, navios e cartas que demoravam semanas, quiçá meses para chegar. Dar a volta ao mundo em 80 dias era quase desafiar o impossível. Era acreditar que a coragem podia ser maior que a distância. E quantas foram as vezes que a coragem foi muito maior do que a lonjura.
Hoje, cruzamos oceanos em horas. Falamos com quem está longe em segundos. O mundo encolheu nas rotas e cresceu nas urgências. Se reescrevêssemos essa história agora, talvez não fosse sobre velocidade. Talvez fosse sobre presença. Sobre atravessar fronteiras invisíveis — as que nos separam por ideias, medos, distrações.
Talvez o novo viajante não precisasse provar que consegue dar a volta ao mundo, mas que consegue parar para escutá-lo e senti-lo. Que consegue percorrer 80 dias com menos pressa e mais consciência. Que entende que a verdadeira viagem não está no mapa, que reflete passado ou futuro, mas na transformação de quem caminha no presente.
Porque, no fundo, Júlio Verne nunca escreveu apenas sobre máquinas ou conquistas. Ele escreveu sobre esperança. Sobre a fé quase infantil — e profundamente humana — de que sempre existe algo além do horizonte.
E talvez seja isso que ainda nos move: abrir um livro como quem abre uma porta. E descobrir que o mundo continua grande — não pelas distâncias que nos separam, mas pelas possibilidades que ainda nos chamam, nos inquietam e nos fazem agir.
Até o próximo porto!
Com afeto,
Estella Lucas
Sobre Júlio Verne
“Júlio Verne (1828-1905) foi um escritor francês do século XIX, precursor da moderna literatura de ficção científica. Autor das obras: “Vinte Mil Léguas Submarinas”, “Viagem ao Centro da Terra”, “A Volta ao Mundo em Oitenta Dias”, entre outras. Previu com grande precisão em seus relatos fantásticos a aparição de alguns inventos criados com os avanços tecnológicos do século XX, entre eles, o helicóptero e as naves espaciais.
A carreira literária de Júlio Verne começou a se destacar quando ele conheceu o editor Hetzel, que se interessou por seus textos e pulicou sua primeira grande obra: “Cinco Semanas em Um Balão” (1863).
A obra alcançou êxito e o estimulou a continuar com a temática da novela de aventuras e fantasia. Ao mesmo tempo, passou a colaborar regularmente com a revista Magazine d’education et de Récréation.
Aproveitando seus conhecimentos geográficos, adquiridos em numerosas viagens, e entusiasmado por aventuras e tecnologia logo se concentrou na redação de “Viagem ao Centro da Terra” (1864).
Verne previu em seus livros, muitos avanços científicos posteriores, como a televisão, o helicóptero, o cinema falado, a vitrola, o gravador, as esteiras rolantes, o ar-condicionado, o avião, viagens espaciais e muitos outros. Suas obras foram premiadas pela Academia Francesa de Letras.
“A Volta ao Mundo em Oitenta Dias” despertou enorme expectativa durante sua publicação seriada em “Le Temps”. Em 1892 recebeu o título de “Cavaleiro da Legião de Honra”
Júlio Verne, cujos romances tiveram inúmeras adaptações cinematográficas, faleceu em Amiens, França, no dia 24 de março de 1905.”
Leia mais sobre a biografia de Júlio Verner em https://www.ebiografia.com/julio_verne/
Fontes:
Biografia de Julio Verner – Publicada originalmente por Dalva Frazão em eBiografia: https://www.ebiografia.com/julio_verne/
