Foz sedia nesta semana 9º Conferência Nacional de pequenas usinas

Paraná é referência nacional em licenciamento ambiental de pequenas usinas; Estado possui 114 pequenas centrais hidrelétricas em operação.

Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Foto: Arquivo ANPr

Foz do Iguaçu sediará nesta semana, entre os dias  24 e 26 de fevereiro, no Centro de Convenções, a 9º Conferência da Abrapch – Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas e de Centrais Geradoras Hidrelétricas. Realizado pela primeira vez na cidade, o evento deverá posicionar as PCHs e CGHs como o futuro do setor elétrico no que diz respeito a ativos geopolíticos estratégicos, segurança energética e backup para eventos climáticos extremos,  usos múltiplos dos reservatórios, intermitência e sustentabilidade.

A abertura acontece nesta terça-feira (24), às 17h, e reunirá autoridades governamentais, representantes de empresas reguladoras, parlamentares, empresários e especialistas para discutir os principais desafios e caminhos para o fortalecimento das PCHs e CGHs no Brasil.

“A Conferência da Abrapch é um espaço qualificado de diálogo técnico e institucional. Quando falamos de hidrelétricas, o impacto vai muito além da geração: envolve o uso múltiplo da água e a gestão de recursos hídricos”, disse a presidente da Abrapch, Alessandra Torres. Para ela, o Brasil não pode abrir mão das PCHS e CGHs com reservatórios.

Reconhecido como o maior encontro nacional dedicado às pequenas hidrelétricas, a Conferência acontece em um momento estratégico para o setor elétrico brasileiro, marcado por debates sobre segurança energética, custos da energia, transição sustentável e equilíbrio da matriz elétrica.

O local escolhido, Foz do Iguaçu, conta com a Itaipu Binacional, um dos maiores símbolos da geração hidrelétrica mundial. Já o Paraná é referência nacional em licenciamento ambiental de PCHs e CGHs no país.

Atualmente, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Paraná possui 114 PCHs e CGHs em operação. Outras cinco estão em construção, sete aguardam início de obras e 116 estão em fase de registro de intenção de outorga, além de 35 processos em estágio de estudos de inventário.

O Paraná receberá, nos próximos dois anos, investimentos que somam cerca de R$1,1 bilhão para a construção de 11 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), que irão abranger 15 municípios. Todos os empreendimentos tiveram a energia que será produzida adquirida no 39º Leilão de Energia Nova A-5, realizado em 2025 pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

Atualmente, o Estado responde por cerca de 18% da energia gerada no Brasil, com 98% dessa matriz composta por fontes limpas e renováveis.

Em declaração recente, o governador Ratinho Júnior destacou que a desburocratização responsável do licenciamento ambiental reduziu significativamente os prazos de liberação, mantendo o rigor técnico e ambiental, e permitiu atrair investimentos relevantes para o interior do Estado.

Energia firme, limpa e estratégica
Nos últimos anos, o setor elétrico brasileiro ampliou de forma acelerada a participação de fontes intermitentes, como solar e eólica. Embora fundamentais para a diversificação da matriz, essas fontes dependem de condições climáticas e exigem sistemas de respaldo para garantir o atendimento contínuo da demanda. Nesse contexto, as PCHs e CGHs ganham relevância por sua capacidade de geração contínua, controle de despacho e contribuição direta para a estabilidade do sistema, especialmente nos horários de maior consumo, como o fim da tarde e o período noturno.

Entraves regulatórios e ambiente de negócios
Outro eixo central da Conferência será o debate sobre licenciamento ambiental, segurança jurídica, financiamento e modelo comercial do setor elétrico. Especialistas da Abrapch apontam que a combinação entre burocracia excessiva, instabilidade regulatória, distorções tarifárias e imprevisibilidade afeta diretamente a viabilidade de novos projetos, encarece o financiamento e limita a expansão das pequenas hidrelétricas. Os processo de licenciamentos ambientais no Brasil levam, em média, cerca de 10 anos para serem concluídos.

Conferência como ponto de convergência
Além dos painéis técnicos, a 9º Conferência da Abrapch contará com feira de exposição, encontros institucionais e oportunidades de networking, consolidando-se como um espaço de articulação estratégica para o setor.

“A Conferência é um ponto de convergência entre conhecimento técnico, diálogo institucional e construção de soluções. É ali que o setor se organiza, se fortalece e contribui de forma concreta para um futuro energético mais seguro, sustentável e economicamente viável para o Brasil”, conclui Alessandra Torres.

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