O ó do borogodó
Para este humilde colunista, que sobreviveu a um fim de semana com sensação térmica de “churrasco no colo do capeta”, o despertar desta segunda-feira branca tem gosto de cabo de guarda-chuva. Eu escrevinho aqui todo santo dia — exceto, é claro, quando o dever me chama para o ócio remunerado de sábados, domingos e feriados, porque ninguém é de ferro e meus princípios não permitem a autoflagelação completa sem um adicional de periculosidade.
Polícia!!!!
Normalmente, passo longe da crônica policial. Afeição por algemas e sirenes eu deixo para quem tem estômago de avestruz ou pretensão política. Mas, de vez em quando, surge algo tão estridente que consegue despertar até o meu “leitorado”. Sim, insisto no termo. Se o político tem o seu “eleitorado”, eu tenho o meu séquito de leitores. Mas, como a língua culta não é chegada no “enrolation”, fiquemos com o bom e velho público leitor para não irritar os puristas antes do segundo café.
Amarok mocozada
O bafafá da vez está mais enrolado que fone de ouvido no fundo do bolso. Trata-se do mistério da Amarok com placas paraguaias, que resolveu brincar de esconde-esconde, sumiu, foi achada e — vejam só que ironia do destino ou GPS caprichoso — foi rastreada até a garagem de uma advogada. Onde há fumaça, há um motor a diesel, e onde há uma garagem de luxo, às vezes, há uma surpresa policial. É o que dizem os noticiários.
Resumo da ópera
Com o requinte de um thriller de baixo orçamento, a caminhonete foi localizada pela polícia na tarde de sábado (21). O veículo não estava em nenhum desmanche de beira de estrada, mas sim muito bem acomodado em um condomínio de alto padrão na Avenida das Cataratas. A polícia chegou ao local guiada pelo rastreamento e pela “vítima”, e, com a benção do síndico (o onipresente olho de Deus dos condomínios), confirmou que a “joia” estava lá. A advogada foi detida e, curiosamente, dispensou o acompanhamento da OAB. A Amarok voltou para o dono e a doutora agora tem um abacaxi jurídico para descascar. Fora o constrangimento com a vizinhança.
Socorro!
O problema agora é decifrar o suposto furto. A advogada gravou um reel tentando explicar o inexplicável, mas a Justiça terá que sacudir Sigmund Freud na tumba para ajudar a elucidar o caso. Segundo a versão dela, quem se apropriou indevidamente do veículo antes, é que estava agora reivindicando a posse. Se a moda pega, teremos ladrão rastreando o objeto e chamando a polícia para fazer o delivery. Barbaridade! Seria, no mínimo, mais um capítulo surreal para o anedotário policiesco da nossa querida e calorenta cidade fronteiriça.
Ai, ai, ai…
Polícia chegando em condomínio de luxo fora de hora é o tipo de entretenimento que o cidadão de bem não dispensa. Um transeunte, que estava no auge do regozijo da churrascaria do outro lado da avenida, relatou que bastou a viatura encostar na portaria para o festival de flashes começar. Tinha gente fazendo até selfie com o giroflex ao fundo — a modernidade é um pântano mesmo. Convenhamos, os vizinhos devem estar espumando de raiva. Imagine pagar caro para morar em um refúgio de paz, cercado de verde e na rota das Cataratas, para acabar virando cenário de programa policial? Decerto teve morador que descomeu a feijoada, ao ver o prestígio do condomínio ser rebocado junto com a Amarok. No fim das contas, o IPTU é de alto padrão, mas o roteiro é de barraco.
Mudando de assunto
Vamos deixa de lado a encrenca da vizinha para encarar o crime organizado (ou desorganizado) das instituições. Graças ao nosso “oráculo da notícia”, o camarada João Zisman — que passou a filtrar os acontecimentos, até o chorume informacional. Ele nos oferece um retrospecto da semana passada, devidamente processado pela moenda da síntese. Para quem quer encurtar o caminho e não tem paciência para ler decreto do Diário Oficial, o jornalista João passou a ser um farol no nevoeiro. Se você tem dúvida, e se ele não souber, é porque o fato ainda não aconteceu ou não vale o gasto de neurônios.
Banco pleno, mas nem tanto
A estrela da semana foi a liquidação do Banco Pleno pelo Banco Central. O nome era “Pleno”, mas o final foi um vazio total. O BC deu o bote preventivo, a Forbes jurou que não é o fim do mundo (quem acredita em bilionário?), e o sistema financeiro resistiu. O problema é que o que era técnico está virando político mais rápido que fofoca em salão de beleza. O risco narrativo é moderado, mas o cheiro de queimado no Distrito Federal está atravessando o Eixo Monumental.
O caldeirão ferve
Em Brasília, o ex-presidente do BRB resolveu abrir o bico para a Polícia Federal. Quando ex-diretor de banco resolve dar “novo depoimento”, tem gente que não dorme nem com barulho de chuva. O tema deixou de ser abstração econômica para virar impacto direto na política local. O risco aqui é elevado, ou seja, preparem a pipoca (ou o passaporte).
Congresso e o rombo do Master
No Congresso, a turma está naquela cautela de quem pisa em ovos podres. O Poder360 jogou o ventilador no FGC (Fundo Garante de Crédito), falando em rombo bilionário por causa do Banco Master e do BRB. A Veja diz que a investigação ganhou tração e a CPMI está só de olho. Traduzindo: os parlamentares estão esperando o cadáver aparecer para decidir quem vai fazer o velório.
Paraná em banho-maria
Aqui nas terras pinheirais, a semana foi de uma paz administrativa irritante. Mas não se enganem: a Gazeta do Povo já avisou que as movimentações para 2026 começaram. É aquela construção silenciosa de alianças, onde o beijo de hoje é a punhalada de amanhã. O risco é baixo, mas o tédio é alto.
O drama da realeza e a suprema corte
Lá fora, a coisa também não está bonita. O Príncipe Andrew continua sendo o “tiozão problemático” da Coroa Britânica, enfrentando um desgaste simbólico que nem o chá das cinco resolve. E nos EUA, a Suprema Corte resolveu cortar as asinhas do Executivo sobre tarifas. Ou seja: até o Tio Sam está tendo que explicar quem manda em quem.
O corvo oráculo
Agradecendo ao João, o Corvo também deu um passeio pelas manchetes desta segunda-feira e, olha, os grandes jornais estão repletos de assuntos ótimos para quem quer começar a jornada semanal com o estômago embrulhado. No Planalto, o clima é de “uma mão lava a outra e as duas passam álcool em gel”. A Cúpula do Congresso já sinalizou que pode votar uma pena menor para Bolsonaro se, e somente se, a pressão por uma CPI do Banco Master esfriar. O objetivo é votar em março o veto de Lula à proposta do “PL da Dosimetria”. A tendência? Que o veto do presidente seja derrubado com a força de uma manada, provando que na política o crime compensa se você tiver as moedas certas para trocar.
Enquanto isso…
…o Governo finalmente detectou o óbvio: o discurso sobre bancos está gerando um desgaste político desnecessário. O presidente deve reduzir as menções ao caso, adotando a tática do “se eu não falo, não existe”. E para fechar o pacote de boas notícias para as instituições, o ministro Fachin confirmou o arquivamento do pedido de suspeição de Toffoli no processo da referida instituição financeira. Resumindo: as peças estão se movendo, os acordos estão sendo selados e o cidadão continua aqui, tentando entender por que a conta de luz subiu enquanto os grandes decidem quem vai para o castigo e quem ganha o doce. É o Brasil: onde a justiça é cega, mas o Congresso tem um radar para oportunidades de ouro.
Para iniciar a segundona de vez
Ufa! Enquanto você tenta entender como vai pagar o boleto do ar-condicionado, as propostas para a prestação de contas eleitorais avançam com brechas que mais parecem crateras, enfraquecendo as candidaturas de minorias. O Fundo Eleitoral de 2026 já está com o “modesto” valor previsto de R$ 4,9 bilhões. Detalhe: a maioria dos partidos descumpriu as cotas em 2022, mas, pelo jeito, a punição no Brasil é como o nosso calor: a gente reclama, mas continua sofrendo. E por falar em sofrer, enquanto nós fervemos no caldeirão iguaçuense, com o asfalto espalhando como lava em filme de ficção, o pessoal em Nova York está vivendo o oposto. Lá, o prefeito Zohran Mamdani teve que decretar estado de emergência e toque de recolher diante de uma nevasca histórica nesta segunda-feira (23). Ruas, pontes e escolas ficarão fechadas até o meio-dia, com a cidade sob quase 70 cm de neve. Ou seja, o mundo está nos extremos: ou você derrete em Foz, ou fica congelado na Times Square. Entre o inferno e a geladeira, a gente vai tocando o barco por aqui. Uma boa semana a todos!
Rogério Romano Bonato inicia a semana com otimismo, torcendo para o calor não resultar em tempestades que interrompam a energia elétrica, o que obrigaria o sono enrolado em toalha molhada! Esta coluna é publicada com exclusividade para o portal Almanaque Futuro e meios eletrônicos da Rádio Cultura de Foz do Iguaçu.
