O secretário de Turismo de Foz do Iguaçu, Jin Petricoski, afirmou em entrevista à Rádio Cultura que a pasta vive uma nova fase, deixando de atuar apenas na promoção do destino para participar diretamente do planejamento estratégico da cidade. Segundo ele, o turismo passou a integrar as discussões sobre expansão urbana e Plano Diretor, com foco em tornar Foz mais organizada, bonita e funcional tanto para moradores quanto para visitantes. A principal diretriz, explicou, é “espalhar o turista” pelo município, reduzindo a concentração em corredores tradicionais e evitando problemas de superlotação em períodos de alta temporada.
A estratégia se apoia na diversidade de segmentos que Foz oferece — ecoturismo, turismo de aventura, compras, gastronomia, entretenimento, turismo rural e religioso — o que, na avaliação do secretário, permite distribuir melhor o fluxo de visitantes. Nesse contexto, ele destacou a revitalização da Prainha de Três Lagoas como um dos projetos prioritários. A proposta prevê reestruturação da área para uso qualificado da população e, paralelamente, o desenvolvimento do turismo náutico, com potencial para marinas, locação de embarcações, restaurantes flutuantes e realização de eventos esportivos. O aproveitamento estruturado do Lago de Itaipu é apontado como um dos grandes ativos ainda pouco explorados da cidade.
Jin também citou o fortalecimento de outros atrativos fora do eixo mais tradicional, como o Marco das Três Fronteiras, defendendo a ampliação de parcerias público-privadas como modelo viável para revitalizar espaços e garantir manutenção permanente. Ele ressaltou que a intenção é criar pertencimento da população com esses locais, reduzindo problemas como depredação e abandono, além de gerar novos polos de desenvolvimento turístico.
Ao fazer um balanço da última alta temporada, o secretário comemorou os resultados. Janeiro de 2026 superou os números recordes do ano anterior, e o Carnaval manteve o ritmo de crescimento. O Parque Nacional do Iguaçu registrou um dos maiores dias individuais de visitação desde o início da atual concessão, enquanto o Parque das Aves apresentou crescimento próximo de 6% em relação ao mesmo período do ano passado. Para ele, os dados confirmam a consolidação de Foz como destino em expansão contínua.
Apesar dos indicadores positivos, o secretário reconheceu desafios estruturais. Entre eles, as obras na BR-469, principal acesso às Cataratas, que ainda provocam transtornos no tráfego. Ele afirmou que a intervenção só avançou após articulação da atual gestão e defendeu que os impactos são temporários diante dos benefícios futuros. Também mencionou que há um plano de expansão no parque, com investimentos previstos até 2030 para ampliar a capacidade de visitação e criar novos atrativos, reduzindo a sensação de superlotação.
Na área administrativa, Jin ressaltou que a Secretaria de Turismo dispõe hoje do maior orçamento de sua história, reflexo do compromisso da gestão municipal com o setor. No entanto, ponderou que o número de servidores diminuiu, o que exige microgerenciamento dos projetos e priorização rigorosa das ações. Ele citou como entrave a demora na contratação de uma agência de marketing, o que impede a implementação de campanhas de tráfego pago e estratégias digitais mais agressivas para o mercado nacional e internacional.
O secretário também destacou a importância do Fundo Iguaçu como parceiro estratégico. Recursos do fundo viabilizaram, por exemplo, o inventário florestal necessário para o avanço do projeto do futuro Parque Foz do Monjolo, além de estudos e projetos executivos ligados à revitalização da prainha de Três Lagoas e ao bairro árabe. Para ele, a integração entre poder público, iniciativa privada e entidades do setor é fundamental para garantir que o crescimento do turismo ocorra de forma planejada e sustentável.
Sobre projetos de maior porte, como a proposta de uma arena multiuso na região da Avenida Beira Rio, orçada em cerca de R$ 145 milhões, Jin classificou o empreendimento como estratégico, mas ponderou que, diante das limitações orçamentárias, seria necessário buscar fontes externas de financiamento ou modelagens que não comprometam recursos prioritários do turismo. Ainda assim, destacou que equipamentos desse porte poderiam contribuir para levar visitantes a novas áreas da cidade e ampliar o calendário de grandes eventos.
Ao final, o secretário reforçou que a meta da gestão é estruturar Foz do Iguaçu para um crescimento consistente no longo prazo, evitando improvisações e apostando em planejamento, infraestrutura e diversificação de atrativos para manter a cidade competitiva no cenário nacional e internacional.
