Campanha da Fraternidade 2026, da CNBB, reforça direito à moradia e justiça social

Dom Sérgio de Deus Borges defende políticas públicas, empatia e compromisso social na abertura da Quaresma em Foz do Iguaçu.

Foto: Agência Brasil

A Quarta-feira de Cinzas marcou o início da Quaresma e a abertura da Campanha da Fraternidade 2026, que este ano tem como tema “Fraternidade e Moradia”, buscando conscientizar a sociedade sobre o direito à habitação digna e a importância de políticas públicas que garantam moradia e dignidade a todos. Em entrevista à Rádio Cultura, o Bispo Diocesano, Dom Sérgio de Deus Borges, ressaltou que a iniciativa une reflexão espiritual e compromisso social: “A casa é o começo da dignidade de uma família. Se a pessoa tem uma moradia digna, ela consegue conquistar outros direitos, autonomia e uma vida melhor.”

O bispo destacou que a Campanha da Fraternidade vai além da Quaresma e se dirige também a governantes e à sociedade civil, pedindo ações concretas para garantir moradia e direitos básicos: “O nosso papel como cristãos é olhar para o nosso irmão. Onde ele está? Está com fome? Está desabrigado? Está doente?” Ele lembrou que em Foz do Iguaçu há milhares de famílias cadastradas em programas habitacionais, reforçando o desafio de garantir uma moradia digna e estruturada para todos.

Dom Sergio também lembrou que políticas públicas de habitação são essenciais para reduzir desigualdades e prevenir conflitos sociais. Ele citou exemplos de cidades como Maringá, que investiram em planejamento habitacional e evitaram o crescimento de favelas: “Mais de 80% das pessoas em situação de rua são realmente necessitadas. É preciso garantir moradia digna, água, energia e infraestrutura mínima, sem discriminar nem expulsar os mais vulneráveis” defendeu.

Segundo Dom Sérgio, a Igreja tem buscado articular solidariedade e empoderamento, por meio das pastorais e da Cáritas Diocesana, com projetos de geração de renda e cursos profissionalizantes. “Não se trata apenas de ajudar, mas de preparar a pessoa para ter uma vida digna e autônoma”, afirmou. Ele também reforçou que a Quaresma, com jejuns e atos de caridade, é um convite à reflexão e à prática da empatia, que deve se estender ao longo de todo o ano.

Educação e formação de valores

Dom Sérgio observou que, na região, a educação enfrenta desafios ligados à perda de autoridade moral dos professores e à desvalorização do ensino: “Os pais muitas vezes perderam a autoridade e, em vez de orientar os filhos, questionam o professor. Isso prejudica a formação das crianças.” Para ele, a escola deve respeitar a diversidade religiosa e formar cidadãos conscientes, preparando-os para conviver de maneira ética e solidária na sociedade.

Violência e empatia

Dom Sérgio enfatizou a importância de cultivar empatia e combater a banalização da violência: “Não podemos simplificar dizendo que alguém está na rua porque não quer trabalhar. Há situações econômicas, psicológicas e estruturais complexas.” Ele também ressaltou que casos de violência doméstica e crimes contra crianças têm maior visibilidade hoje, mas existem há décadas: “Precisamos estar atentos, refletir sobre nosso papel e agir com responsabilidade, começando pelo lar e pelas relações familiares.”

Quaresma e espiritualidade

Para o bispo, a Quaresma é um tempo de preparação espiritual e social: “Lembrar que somos pó e ao pó retornaremos nos ensina humildade. Mas nossa alma é imortal e devemos viver com consciência do outro.” Ele reforçou que o tema da campanha não se restringe à caridade: é um convite à transformação pessoal e à ação concreta na sociedade, unindo fé e compromisso social.

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