O Dia Mundial do Rádio, celebrado em 13 de fevereiro, costuma passar quase despercebido em uma era dominada por telas, imagens em alta definição e transmissões instantâneas. Ainda assim, houve um tempo em que o rádio não era complemento. Era presença constante. Era o centro da experiência.
Eu tinha entre 10 e 12 anos quando todo domingo seguia o mesmo ritual. A família ia para a prainha de Santa Terezinha, aproveitando o dia, o vento leve e a conversa tranquila. Mas havia um compromisso que atravessava o passeio inteiro. O jogo do São Paulo Futebol Clube.
Sem televisão por perto, ficávamos completamente ligados ao rádio. A transmissão acontecia lance a lance, com uma intensidade que parecia maior do que a do próprio jogo. O narrador não apenas descrevia. Ele criava o campo, desenhava as jogadas, aumentava o suspense. A bola corria não só no gramado distante, mas também dentro da nossa imaginação.
O rádio transformava tudo. Um ataque parecia mais perigoso, uma defesa parecia decisiva. E quando o gol finalmente saía, a sensação era única. Não havia imagem, não havia replay, não havia confirmação visual. Havia o grito. Um som que vinha direto do aparelho e explodia no corpo de quem ouvia. A emoção chegava antes da razão.
Do ponto de vista jornalístico, o rádio sempre teve essa força particular. Ele prende sem mostrar. Ele exige participação ativa do ouvinte. Enquanto a televisão entrega tudo pronto, o rádio convida a imaginar, a completar as cenas, a viver a narrativa.
No Dia Mundial do Rádio, lembrar dessas tardes de domingo é reconhecer que o rádio nunca foi apenas um meio de comunicação. Foi companhia fiel, ponte com o mundo e memória afetiva. Uma voz, um time, um aparelho simples e uma experiência capaz de transformar um jogo comum em algo inesquecível.
O rádio é diferente. Ele não mostra. Ele leva. Ele envolve. E permanece.
Mohamed Fahs
