Cerca de um em cada cinco moradores de Foz do Iguaçu é atendida pelo Bolsa Família. O número revela uma contradição econômica: mesmo figurando entre as maiores economias do país, o município ainda convive com forte desigualdade social.
Dados do Portal Cidadania, do Governo Federal, mostram que 52.175 dos cerca de 297 mil habitantes da cidade receberam o benefício em fevereiro de 2026. São mais de 17% da população vivendo desta distribuição de renda que injetou R$ 14.235.726,00 na economia da cidade.
A comparação regional reforça o contraste. Em Cascavel, cidade com cerca de 364 mil habitantes, o programa atende 11.688 famílias, totalizando 32.986 pessoas, aproximadamente 9% da população.
O cenário chama atenção porque Foz do Iguaçu possui um PIB estimado em cerca de R$ 17 bilhões, posicionando o município entre as 100 maiores economias do Brasil, maior, inclusive, que o de Cascavel. A economia local é impulsionada principalmente pela Itaipu Binacional, pelo turismo internacional e pelo comércio de fronteira, além de receber bilhões em investimentos públicos e privados nos últimos anos.
Apesar disso, a renda média da população permanece inferior à de cidades vizinhas. Dados do Censo 2022 do IBGE indicam que a renda domiciliar per capita em Foz do Iguaçu é de R$ 1.911, enquanto Cascavel registra R$ 2.217 por pessoa.
Entre as cidades mais populosas do Paraná, Foz ocupa apenas a 14ª posição em renda per capita, ficando atrás também de municípios da própria região Oeste, como Toledo, Marechal Cândido Rondon e Medianeira.
O Cadastro Único reforça o quadro social do município. 57.183 famílias estão inscritas em programas sociais, somando 127.729 pessoas, e mais de 20 mil famílias vivem em situação de extrema pobreza.
A combinação de economia bilionária e renda média relativamente baixa aproxima a realidade local da metáfora da “Belíndia”, criada pelo economista Edmar Bacha para descrever sociedades marcadas pela coexistência de riqueza e pobreza.
Em Foz do Iguaçu, o dado do Bolsa Família evidencia um desafio estrutural: transformar o crescimento econômico e os grandes investimentos em melhoria efetiva da renda da população, especialmente em uma economia fortemente dependente do setor de serviços e do turismo, onde predominam salários menores. Esses rendimentos não convencem a população a ingressar no mercado do trabalho formal, fazendo crescer a informalidade que é bastante facilitada na região por conta do comércio do Paraguai.
O grande número de iguaçuenses com pouco poder aquisito pressiona os serviços públicos como saúde, educação e assistência social. Estes setores não dão conta da demanda, mesmo com orçamentos milionários.
