Segurança em Foco
Minha rotina tem se tornado uma verdadeira gincana com a participação no programa Contraponto. Ainda estou me organizando como um equilibrista de pratos: enquanto uns giram com vigor, outros ameaçam cair. Mas é questão de adaptação; logo tudo se encaixa. Peço desculpas aos amigos que ficam sem retorno nas mensagens, mas o ritmo é frenético.
Nesta quarta-feira, encontrei o bom amigo Dr. Rogério Antônio Lopes nos estúdios da Rádio Cultura. E fiquem ligados: logo mais (quinta-feira, 05/02), o entrevistado é o empresário Deoclecio Duarte.
Humanização no cárcere
É fato: antes da gestão do Dr. Rogério, as delegacias de Foz tinham aquele aspecto de “jail” do Velho Oeste, com o odor dos presos impregnando os corredores. O xará delegado arejou os ambientes, trazendo dignidade e conforto para quem busca atendimento. Afinal, ninguém vai à delegacia — assim como a hospitais ou dentistas — para sorrir. As pessoas já chegam carregadas de problemas; um ambiente salubre é o mínimo de respeito ao cidadão.
As coisas mudam
A cidade de hoje é outra. Quando cheguei, no início dos anos 80, as balas ricocheteavam por todos os lados. Ir ao Rincão São Francisco exigia quase uma armadura. Vindo de São Paulo, estranhei que o nosso “Morumbi” fosse tão diferente do bairro nobre paulistano.
Nota de Contexto: Naquela época, Foz do Iguaçu figurava frequentemente entre as cidades mais violentas do Brasil. Hoje, o cenário é distinto. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Paraná tem consolidado uma queda constante em crimes letais, e Foz, apesar de ser fronteira, já não ostenta os índices alarmantes de quatro décadas atrás.
O Dr. Rogério, atento às tecnologias e com dez anos de casa, conhece esse “posto avançado” como poucos.
O Paraná é mais tranquilo
Isso foi observado pelo Dr. Nelso ao traçar um paralelo com as capitais. Perto de Rio de Janeiro e São Paulo, Foz é um oásis. O respeito à farda ainda existe: policiais militares e guardas municipais podem se deslocar para casa fardados sem o medo constante que assombra os colegas das metrópoles. É sinal de que a criminalidade local ainda pensa duas vezes antes de desafiar o Estado.
E os golpes?
Aqui mora o perigo atual: os crimes cibernéticos. Até o delegado-chefe é alvo dessa safadeza que depena idosos e humildes. Dado de Pesquisa: Segundo o Monitor da Fraude, o Brasil registra cerca de 2,8 mil tentativas de golpe financeiro por minuto no ambiente digital.
Confesso que gostaria de cobrir, como repórter policial à moda antiga, o momento em que um desses “estelionatários de teclado” cai atrás das grades. A sociedade precisa de exemplos de punição para voltar a acreditar na justiça digital.
Gestão política, reformas e mais reformas
A reforma administrativa em Foz continua rendendo assunto. José Teodoro Oliveira deixou o Planejamento e Urbanismo. O competente arquiteto mal teve tempo de projetar e, naturalmente, prefere a agilidade da iniciativa privada e o aconchego da família. A função pública é como a rapadura: doce, mas nem um pouco mole.
Dizem que o “General” está traçando uma nova estratégia para sanar lacunas. Ele ainda não se convenceu com o desenho atual das secretarias; pensa em fundir umas e fracionar outras. Enquanto o governo parece uma pizza faltando pedaços, surgem ideias “miraculosas” no Legislativo. Esse povo precisa entender de vez que um retângulo não entra em buraco de triângulo. A matemática do Orçamento é exata, embora a política insista em tentar desafiar as leis da física e do universo.
Ai, as obras…
Um leitor me perguntou sobre as obras na região Sul. Bem, elas avançam no ritmo em que nossa paciência esvai. Indo para o Parque Nacional, vi que o viaduto do aeroporto ainda é uma armação de ferro e madeira. Se a duplicação da BR-469 fosse um bife, estaria “selada” por fora e crua por dentro. Dizem que superou os 75% de execução, mas os 25% restantes são aquela “rebarba” que nunca termina.
A tal Perimetral
Não faz sentido fechar acessos aos bairros. Se os caminhões ainda não usam a Perimetral Leste (cadê o Porto Seco?), a via acaba sendo o escape dos veículos leves. Ela encurta caminhos: do Sul ao Morumbi em cinco minutos, sem semáforos. Mas, sem os acessos adequados, motoristas estão fazendo manobras arriscadas nos eixos da Av. República Argentina e Felipe Wandscheer. É a receita para um acidente grave.
Pequenas cabeças, grandes negócios
A cautela sobre o Banco Master é nítida. O motivo? Prováveis empréstimos a figuras de “calibre avantajado” em todos os setores da República. Na política, cada passo agora soa como o estalo de uma casca de ovo quebrando. Um bom dia a todos!
Rogério Romano Bonato é autor da coluna No Bico do Corvo desde o início dos anos 2000. O conteúdo é disponibilizado com exclusividade para o portal Almanaque Futuro e meios eletrônicos da Rádio Cultura de Foz do Iguaçu.
