O grupo de famílias que ocupa casas ainda inacabadas do Condomínio Primavera, no bairro Três Lagoas, em Foz do Iguaçu, foi notificado para desocupar os imóveis no prazo de dois dias. Os moradores afirmam não ter alternativa de moradia e temem ser retirados à força.
A ocupação ocorreu no último fim de semana em unidades habitacionais que fazem parte de um empreendimento executado pela Prefeitura de Foz do Iguaçu, por meio da FozHabita, em parceria com a Caixa Econômica Federal.
Ao todo, o conjunto prevê a construção de 42 moradias. De acordo com a FozHabita, 21 casas foram entregues em dezembro de 2025. As demais unidades, que deveriam ser concluídas até março deste ano, tiveram as obras paralisadas após a construtora abandonar o canteiro de obras em janeiro. Diante da situação, a empreiteira foi formalmente notificada.
As casas atualmente ocupadas não possuem portas, janelas nem ligações regulares de água, esgoto e energia elétrica. Também não foi executado um talude de contenção, considerado essencial para evitar alagamentos. Por esse motivo, a área é classificada como canteiro de obras, oferecendo risco de acidentes.
Entre 20 e 25 famílias estão no local, a maioria composta por pais, mães e filhos. Parte do grupo alega estar cadastrada em programas sociais de moradia, mas afirma nunca ter sido chamada. É o caso de Gracieli da Silva, de 32 anos, que está no local com o esposo e três filhos menores. Sem condições de pagar aluguel, ela diz não ter alternativa.
“Recebemos uma notificação para sair em dois dias. Algumas pessoas que disseram ser da Secretaria de Assistência Social pegaram nossos dados, mas ninguém explicou o que vai acontecer conosco se tivermos que sair daqui. Eu não tenho para onde ir com os meus filhos”, relatou a moradora.
Segundo os ocupantes, um casal de advogados esteve no local e conversou com o grupo. A reportagem da Rádio Cultura entrou em contato com um dos defensores, que até o momento não se manifestou oficialmente, mas confirmou a entrega de uma notificação extrajudicial às famílias.
O superintendente da FozHabita, Ivatan Batista, preferiu não conceder entrevista gravada, mas informou à reportagem da Rádio Cultura Foz que a empresa responsável pelas obras deveria ter feito a entrega das unidades em março de 2025 e que uma solução para a paralisação deveria ter sido apresentada até o dia 5 de janeiro de 2026, o que não ocorreu.
Ainda segundo Batista, a FozHabita busca agora, por meio do Judiciário, rescindir o contrato entre a prefeitura e a construtora, a fim de viabilizar uma solução para o impasse.




















































