O Hospital Municipal de Foz do Iguaçu começa, nesta terça-feira (3), a contar com um novo anestesista credenciado, medida que marca o início da recomposição da equipe e deve permitir a retomada gradual da rotina de cirurgias na unidade. A informação foi confirmada pelo diretor do hospital, coronel Áureo Ferreira, durante entrevista ao programa Contraponto, da Rádio Cultura.
Segundo o diretor, com a entrada do novo profissional, a expectativa é que o hospital volte, já na próxima semana, à média histórica de 25 cirurgias diárias, com meta de alcançar até 30 procedimentos por dia, ampliando o atendimento de cirurgias eletivas. Atualmente, o hospital opera com dois anestesistas por plantão, metade do contingente anterior, após o rompimento com a empresa que concentrava a maior parte dos profissionais da área.
Mesmo com a redução da equipe, Áureo afirmou que os atendimentos seguem sendo realizados com segurança. “A organização do trabalho mudou, mas sempre dentro dos protocolos e sem colocar o paciente em risco”, destacou.
Neurocirurgia segue em negociação
Outro ponto central da entrevista foi a situação da neurocirurgia, considerada pelo diretor como o tema mais complexo em andamento. De acordo com Áureo Ferreira, houve uma reorganização do atendimento neurocirúrgico em Foz do Iguaçu e na macrorregião Oeste, com o Hospital Itamed passando a ser referência para emergências da especialidade.
O diretor informou que mantém diálogo com os neurocirurgiões e que uma nova reunião está prevista para esta semana, dando continuidade às tratativas iniciadas após debate no Conselho Municipal de Saúde (Comus). Segundo ele, o encontro realizado no conselho contribuiu para uma aproximação entre as partes, especialmente quanto aos impactos sociais da suspensão ou limitação dos atendimentos.
Impasse financeiro e proposta de reajuste
A negociação com os neurocirurgiões envolve principalmente a questão financeira. Conforme explicou Áureo, o hospital apresentou uma proposta de reajuste de 41%, elevando o valor pago de R$ 45 para R$ 65, enquanto os profissionais pleiteavam inicialmente R$ 93.
O diretor afirmou que reajustes acima da média regional poderiam comprometer o sistema de credenciamento e gerar efeito cascata em outras especialidades. Ainda assim, não descartou a possibilidade de ajustes, desde que dentro dos limites do edital e da realidade financeira do SUS.
Dependência de empresas médicas expõe fragilidade do sistema
Durante a entrevista, Áureo destacou que o Hospital Municipal não possui anestesistas próprios. Todos os profissionais atuam por meio de empresas médicas credenciadas, em um total de cerca de 170 contratos desse tipo. No caso da anestesiologia, a maior parte dos especialistas da cidade estava vinculada a uma única empresa, o que evidenciou a vulnerabilidade do modelo.
Diante disso, a direção pretende ampliar contatos com médicos de outras cidades e incentivar novos credenciamentos, como forma de reduzir a dependência local e evitar novos desabastecimentos de profissionais.
Expectativa de normalização
Com a chegada do novo anestesista nesta terça-feira e a continuidade das negociações com os neurocirurgiões, a expectativa da direção é de normalização gradual dos atendimentos cirúrgicos no Hospital Municipal. Segundo Áureo Ferreira, o objetivo é garantir previsibilidade, segurança assistencial e reduzir o impacto das recentes mudanças sobre a população de Foz do Iguaçu.




















































