30 de Janeiro: Quando um Herói saltou da Banca de Jornal

Capa do quadrinho do Homem Aranha criada por Nick Bradshaw. Direitos Autorais da Marvel

O Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos, celebrado em 30 de janeiro, não costuma parar o trânsito nem mudar a rotina das cidades. É mais um dia comum da semana. Talvez por isso combine tanto com a forma como muitas paixões começam: sem anúncio, sem cerimônia, quase por acaso.

Lembro vagamente daquele dia. O céu estava coberto por nuvens leves, o ar fresco fazia o passeio parecer mais longo do que realmente era. Eu caminhava ao lado da minha mãe, distraído, quando algo interrompeu o fluxo normal da paisagem urbana: uma banca de jornal. Entre manchetes políticas e revistas semanais, estava ele, o Homem-Aranha.

Até então, meus heróis viviam apenas na televisão, presos aos desenhos animados da manhã. Mas ali, pendurado na banca, estava um herói diferente. Usava máscara, errava, caía, sentia medo. E, ainda assim, salvava o dia. O primeiro super-herói que vi fora da tela. O primeiro que parecia possível.

A partir daquele momento, o Homem-Aranha não virou apenas meu herói favorito. Virou porta de entrada. As histórias em quadrinhos se revelaram como um território novo, onde a imaginação podia ir ainda mais longe do que nos desenhos animados. Bastava virar a página para mudar de cidade, de conflito, de universo.

Do ponto de vista jornalístico, as HQs sempre ocuparam esse lugar curioso: acessíveis, populares e, muitas vezes, subestimadas. Mas para quem cresceu folheando revistas coloridas, elas ensinaram mais do que entretenimento. Ensinaram a ler imagens, a compreender narrativas, a lidar com dilemas morais e, sobretudo, a imaginar.

No Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos, a celebração não é apenas de um formato ou de personagens icônicos. É também das bancas de jornal, dos passeios despretensiosos, dos encontros inesperados que mudam o rumo da infância.

Porque, às vezes, basta um herói pendurado num barbante, numa tarde comum, para mostrar que a imaginação pode ser um poder tão grande quanto qualquer superforça.

Mohamed Fahs

Sair da versão mobile