Incêndios em edificações crescem 28% em 2026 e preocupam Corpo de Bombeiros

Tenente alerta para falhas elétricas, sobrecarga e adaptações irregulares como principais causas do aumento de incêndios urbanos neste ano.

Reprodução/Ilustrativa

O Corpo de Bombeiros de Foz do Iguaçu registrou aumento de 28% nos incêndios em edificações no mês de janeiro de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. O dado foi apresentado pelo tenente Rafael Arantes durante entrevista à Rádio Cultura Foz. Segundo ele, a elevação do número de ocorrências tem sido motivo de preocupação, já que os incêndios urbanos passaram a fazer parte da rotina diária das equipes. “O que mais tem nos preocupado é que praticamente todo plantão tem incêndio em edificação”, afirmou o tenente.

Enquanto os incêndios em imóveis cresceram, os incêndios ambientais apresentaram redução significativa, estimada em cerca de 70%. De acordo com Arantes, a queda está relacionada às chuvas espaçadas registradas neste início de ano e ao avanço das ações de conscientização junto à população, por meio de campanhas educativas e orientações permanentes do Corpo de Bombeiros.

A principal causa dos incêndios em edificações, segundo o tenente, está relacionada a falhas nas instalações elétricas. Problemas como sistemas subdimensionados, sobrecarga de energia e adaptações irregulares aparecem com frequência nas ocorrências atendidas pela corporação. “Muitas edificações têm uma capacidade elétrica menor do que a demanda real, o que gera sobrecarga, aquecimento e, em alguns casos, curtos-circuitos que iniciam o incêndio”, explicou.

O uso excessivo de benjamins, extensões e tomadas do tipo “T” também é apontado como fator de risco, especialmente em períodos de calor intenso, quando há maior consumo de energia com ventiladores, aparelhos de ar-condicionado e outros equipamentos. “Esses dispositivos acabam esquentando e podem gerar um foco de incêndio”, alertou.

Entre os sinais de alerta que não devem ser ignorados pela população estão tomadas quentes, cheiro de queimado, faíscas e o desarme frequente do disjuntor. “Se o disjuntor está caindo com frequência, é um sinal claro de que a instalação não está dimensionada para aquela carga. Isso precisa ser avaliado por um profissional”, disse Arantes, reforçando que serviços elétricos devem ser realizados exclusivamente por engenheiros eletricistas ou eletricistas habilitados.

O tenente destacou ainda que existe legislação específica e normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que tratam do dimensionamento elétrico das edificações e são exigidas para aprovação de projetos. No entanto, muitos problemas surgem após a liberação do imóvel. “O que acontece com frequência é o projeto ser aprovado de uma forma e, depois do habite-se, a edificação passar por adaptações irregulares”, afirmou.

Nas edificações mais antigas, segundo o Corpo de Bombeiros, as falhas são ainda mais recorrentes. Entre os principais problemas estão a ausência de sinalização de emergência, extintores vencidos ou fora do local adequado, falta de iluminação de emergência e rotas de fuga obstruídas. “Rota de fuga é prioridade absoluta. Nada pode obstruir a saída das pessoas em uma situação de emergência”, enfatizou o tenente.

Arantes também chamou atenção para novos desafios relacionados ao avanço tecnológico. Segundo ele, ainda não há regulamentação específica no Paraná e em Foz do Iguaçu para a recarga de veículos elétricos em residências, condomínios e prédios. “Trata-se de um risco muito grande, principalmente em garagens subterrâneas, porque um incêndio em veículo elétrico demanda muito mais água e dificulta o combate”, alertou.

Outro ponto de atenção são os sistemas de energia solar instalados em residências e comércios. De acordo com o tenente, instalações mal executadas, especialmente no inversor, podem provocar incêndios. “É fundamental que esse tipo de sistema seja projetado e instalado por profissionais capacitados, com materiais adequados e dimensionamento correto”, afirmou.

Durante a entrevista, o tenente reforçou ainda orientações básicas de prevenção doméstica. Em casos de incêndio envolvendo óleo de cozinha, a recomendação é nunca utilizar água. “Jogar água em panela com óleo quente pode provocar uma bola de fogo. O correto é abafar com uma tampa ou pano úmido”, explicou.

Ele também destacou a importância de manter o botijão de gás em local ventilado, longe de fontes de calor e com mangueiras e reguladores em boas condições. Nos incêndios de origem elétrica, o uso de água também deve ser evitado. “O combate deve ser feito com pó químico ou CO₂, tanto para preservar os equipamentos quanto para evitar risco de choque elétrico”, concluiu.

Estrutura do Corpo de Bombeiros

Durante a entrevista, o tenente Rafael Arantes também comentou sobre a estrutura operacional do Corpo de Bombeiros. Segundo ele, a frota atual de caminhões é suficiente para atender à demanda da cidade, garantindo resposta rápida às ocorrências. No entanto, há planejamento para avanços. “Existe um projeto para a aquisição de uma escada mecânica, que vai ampliar nossa capacidade de atuação em prédios altos”, informou.

Por fim, o tenente destacou que a atuação da corporação tem se tornado cada vez mais preventiva, com foco na orientação da população e na redução de riscos antes que acidentes ocorram. “Depois da tragédia da Boate Kiss, a prevenção passou a ser prioridade absoluta no trabalho do Corpo de Bombeiros”, concluiu.

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