O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, afirmou que não será candidato nas eleições de 2026. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Contraponto – A Voz do Povo, da Rádio Cultura de Foz do Iguaçu, e encerra um ciclo de aproximadamente 25 anos de disputas eleitorais. Segundo ele, a decisão está diretamente ligada à permanência na direção da usina, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Eu não serei candidato em 2026. O presidente me pediu para continuar na Itaipu, e eu entendi que este é o papel que devo cumprir neste momento”, afirmou.
Verri ressaltou que a escolha não foi pessoal, mas política e institucional. “Não é uma decisão individual, é uma decisão coletiva. A Itaipu hoje tem um papel estratégico no desenvolvimento regional e nacional, e eu tenho compromisso com esse projeto”, disse. Ele acrescentou que, ao longo de sua trajetória, sempre colocou os interesses públicos acima de projetos individuais. “Chega um momento em que você precisa saber encerrar ciclos”, completou.
Durante a entrevista, Enio Verri também destacou que a principal prioridade do governo Lula para 2026 será a disputa pelo Senado Federal. Para ele, a composição da Casa será decisiva para a estabilidade democrática do país. “O Senado será a eleição mais importante de 2026. É ali que se define se a democracia vai estar protegida ou ameaçada”, alertou. Segundo Verri, existe o risco de setores ligados ao bolsonarismo tentarem usar o Senado para confrontar instituições como o Supremo Tribunal Federal. “Há um projeto claro de fragilizar o STF, de criar crises institucionais, e isso passa pelo Senado”, afirmou.
O diretor da Itaipu enfatizou que o objetivo do governo não é, necessariamente, eleger senadores do PT, mas construir uma base ampla. “Não se trata de eleger senadores do PT, mas de eleger senadores comprometidos com a Constituição, com a democracia e com o Estado de Direito”, disse. Ele citou a ministra Gleisi Hoffmann como nome definido para a disputa no Paraná. “A Gleisi será candidata ao Senado, isso faz parte de uma estratégia nacional”, confirmou.
Ao encerrar a entrevista, Enio Verri analisou o cenário político do Paraná, classificando-o como indefinido e aberto. Segundo ele, as principais decisões ainda dependem do período de desincompatibilização. “O tabuleiro do Paraná ainda está sendo montado. Muita coisa só vai se definir mais adiante”, avaliou. Verri citou diversos nomes que devem influenciar a disputa estadual, como Ratinho Júnior, Álvaro Dias, Rafael Greca, Guto Silva, Cristina Graeml e Paulo Martins.
No campo da centro-esquerda, Verri defendeu a construção de uma alternativa competitiva. “O Requião Filho é um nome que representa esse campo e precisa ser considerado”, afirmou. Ele também fez críticas ao desempenho da atual representação do Estado no Senado. “O Paraná perdeu oito anos no Senado. Tivemos senadores que pouco entregaram ao Estado e ao país”, concluiu.
