Na manhã desta terça-feira (23) , o Conselho de Curador do Hospital Municipal Padre Germano Lauck (HMPGL) realizou uma reunião em Foz do Iguaçu, que estava prevista para durar cerca de 40 minutos, mas acabou se estendendo por mais de duas horas, diante da complexidade dos temas debatidos. No encontro, foram definidas medidas emergenciais, incluindo a adoção de um plano de contingência para a neurocirurgia e a possibilidade de transferência aérea de pacientes por helicóptero, quando necessário, para garantir a continuidade do atendimento à população.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Fábio de Melo, o Hospital Municipal permanece como porta de entrada para todos os atendimentos de urgência e emergência. “Nenhum paciente será desassistido. Os pacientes continuam vindo para o hospital e, conforme a gravidade do caso, poderão ser encaminhados para unidades com maior complexidade, inclusive com transporte aéreo”, afirmou.
Neurocirurgia: fluxo de atendimento e hospitais de referência
Com a ausência de neurocirurgiões credenciados para atendimento presencial no HMPGL, foi definido um novo fluxo para os casos que demandam essa especialidade. Os pacientes continuam sendo atendidos inicialmente no Hospital Municipal, onde o médico plantonista aciona o SAMU e a regulação estadual para definir o encaminhamento adequado.
Nos casos de urgência e emergência, o hospital Itamed, passa a ser uma das portas de entrada, conforme recomendação do Ministério Público do Paraná. Já os atendimentos de alta complexidade poderão ser regulados para hospitais estaduais de referência em Cascavel, Francisco Beltrão e Pato Branco. Em situações de maior gravidade ou quando o tempo for fator decisivo, permanece pactuada a transferência aérea por helicóptero, medida já utilizada pelo município em outros atendimentos.
Reajuste de 41% na tabela busca atrair novos profissionais
Durante a reunião do Conselho de Curadoria, também foi aprovada a readequação da tabela de pagamentos para os médicos, com reajuste de 41%, como estratégia para atrair novos neurocirurgiões interessados em atuar no SUS de Foz do Iguaçu.
“A equipe do hospital está em busca de novos prestadores. Não há portas fechadas, tanto para profissionais que já atuavam aqui quanto para médicos da região que tenham interesse em atender o município”, explicou o secretário Fábio de Melo.
Redução de anestesistas impacta cirurgias eletivas
Outro tema central da reunião foi a situação da anestesiologia. O diretor-geral do HMPGL, Áureo Ferreira, informou que o hospital, que antes contava com quatro anestesistas, atualmente opera com apenas um profissional em atividade.
Com a redução da equipe, a produção cirúrgica diária caiu de cerca de 25 cirurgias por dia para aproximadamente 12 procedimentos, com prioridade para os casos de urgência e emergência. As cirurgias eletivas estão sendo encaminhadas para outros prestadores do SUS no município e na região.
A expectativa da direção é de melhora nas próximas semanas. “Na próxima semana teremos a contratação de mais um anestesista, o Dr. Bernardo, e existe a possibilidade de reforço com empresas da região de Cascavel. Com isso, poderemos nos aproximar novamente da normalidade”, afirmou Áureo Ferreira.
Pagamentos em dia e impacto financeiro
A Secretaria Municipal de Saúde e a direção do hospital reforçaram que não há atrasos nos pagamentos aos profissionais, tanto da neurocirurgia quanto da anestesiologia. Segundo o diretor-geral, boatos sobre inadimplência causaram insegurança e dificultaram negociações.
O reajuste da tabela de valores, de acordo com a direção do HMPGL, representa um impacto aproximado de R$ 70 mil por mês no orçamento da Fundação Municipal de Saúde, que já opera com recursos considerados justos.
Conselho de Saúde cobra diálogo e defende o hospital
O presidente do Conselho Municipal de Saúde (COMUS), Khalid Omairi, avaliou a reunião como positiva, mas destacou preocupações relacionadas à comunicação institucional e à continuidade dos serviços.
“O Sistema Único de Saúde é um sistema e todos os atores precisam empreender esforços para que ele continue funcionando. O Hospital Municipal é um patrimônio da sociedade iguaçuense e não podemos perder serviços nem transferir permanentemente atendimentos para outras cidades”, afirmou.
O COMUS convocou uma plenária extraordinária para o dia 29 de janeiro, mesmo durante o recesso do conselho, com a presença da Fundação Municipal de Saúde, da 9ª Regional de Saúde, da Secretaria Municipal de Saúde e dos representantes dos serviços de neurocirurgia e anestesiologia. O objetivo é esclarecer informações à população, ouvir todas as partes envolvidas e buscar a retomada das negociações.
