Golpistas usam dados reais e IA para se passar por advogados e enganar vítimas

Criminosos simulam contatos com vítimas usando processos públicos, clonagem de voz e fotos de advogados reais; especialistas alertam para prevenção.

O uso de dados reais de processos judiciais e até de inteligência artificial tem ampliado a atuação de golpistas que se passam por advogados em todo o Brasil. O alerta foi feito durante o programa Contraponto – A Voz do Povo, da Rádio Cultura, em entrevista com a advogada Vanessa Picotto e o delegado Ismael Rodrigues que relatou o crescimento desse tipo de crime e o alto grau de sofisticação das abordagens.

Segundo a advogada, os criminosos entram em contato principalmente por aplicativos de mensagens, informando falsas liberações de valores judiciais. Para convencer as vítimas, utilizam informações públicas dos processos — como número, vara, tipo da ação e nome das partes — além de fotos retiradas das redes sociais de advogados reais. “Eles sabem exatamente o que falar e em que momento falar. Isso gera confiança e faz com que muitas pessoas acreditem que o contato é legítimo”, explicou Vanessa.

Ela destacou ainda que os golpes evoluíram e já incluem o uso de clonagem de voz e chamadas de vídeo, simulando a fala e até a imagem do profissional. “Temos casos em que a vítima conversa por áudio acreditando estar falando com seu próprio advogado. A tecnologia tem sido usada para enganar”, alertou. Segundo Vanessa, advogados não solicitam pagamentos inesperados por mensagens e qualquer cobrança deve ser previamente combinada e confirmada.

A advogada também orientou sobre como agir após cair no golpe. Segundo ela, a vítima deve entrar em contato imediatamente com o banco para tentar bloquear ou reverter a transação, registrar boletim de ocorrência e reunir todas as provas, como conversas, áudios, comprovantes de pagamento e números utilizados pelos golpistas. “Quanto mais rápido a vítima agir, maiores são as chances de minimizar o prejuízo e ajudar na investigação”, ressaltou.

Durante a entrevista, o delegado Ismael Rodrigues explicou que os criminosos utilizam técnicas de engenharia social para explorar a expectativa das vítimas. “O golpe funciona porque mexe com o emocional da pessoa, que acredita que vai receber um dinheiro e acaba agindo por impulso”, afirmou. De acordo com ele, há diversos inquéritos em andamento, muitos ligados a quadrilhas que atuam a partir de outros estados.

O delegado reforçou a importância da prevenção. “Nenhum advogado sério pede dinheiro de forma inesperada por mensagem. Ao menor sinal de dúvida, a pessoa deve parar a conversa e confirmar diretamente com o profissional”, orientou. Em casos de golpe consumado, ele reforça: “É fundamental procurar o banco imediatamente, registrar o boletim de ocorrência e guardar todas as provas para auxiliar na investigação”.

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