Motoristas que circulam por Foz do Iguaçu frequentemente reclamam da falta de sincronização dos semáforos, especialmente em corredores movimentados como as avenidas Costa e Silva, Juscelino Kubitschek, República Argentina e Almirante Barroso. A sensação de “para e anda” constante, mesmo fora dos horários de pico, tem uma explicação técnica: a cidade ainda opera com um sistema semafórico descentralizado.
Em resposta a questionamento formal da Câmara Municipal, o Instituto de Transportes e Trânsito de Foz do Iguaçu (Foztrans) esclareceu que o município não possui uma central semafórica informatizada. Isso significa que os semáforos não são controlados em tempo real a partir de um centro de operações, como ocorre em cidades que adotaram sistemas inteligentes de trânsito.
Atualmente, a sincronização existente é feita de forma manual e presencial. Técnicos contratados pelo município precisam ir até cada cruzamento para programar os controladores semafóricos, ajustando parâmetros como tempo de abertura, ciclo e defasagem entre os sinais — o chamado offset — com o objetivo de criar as chamadas “ondas verdes” nos corredores viários.
Segundo o Foztrans, uma das ações adotadas para agilizar o trânsito é justamente a chamada “Onda Verde”, que consiste na abertura sequencial dos semáforos ao longo de uma via. O objetivo é facilitar o deslocamento dos veículos, permitindo percursos mais rápidos, reduzindo paradas sucessivas e minimizando os congestionamentos provocados pelo crescimento acelerado da frota no município.
O problema, porém, é que esse tipo de sincronização é frágil no modelo atualmente utilizado. Um dos principais fatores de perda da “onda verde” são as interrupções no fornecimento de energia elétrica. Mesmo quedas momentâneas fazem com que os controladores reiniciem e retornem às configurações padrão ou passem a operar em amarelo intermitente, anulando completamente qualquer sincronização previamente ajustada.
Outro obstáculo são as chamadas “derivas de temporização”. Com o passar das semanas, os equipamentos eletrônicos podem apresentar pequenos desvios no tempo programado, que se acumulam e comprometem gradualmente a sincronia entre os semáforos, mesmo sem ocorrência de falta de energia.
De acordo com o instituto, cada perda de sincronização exige nova intervenção técnica em campo, o que demanda tempo, equipe e recursos. Sem uma central semafórica informatizada, não há como corrigir esses problemas de forma remota ou automática.
O próprio Foztrans reconhece que a sincronização semafórica é uma ferramenta fundamental para a fluidez do tráfego, a redução do tempo de viagem, a diminuição das emissões de poluentes e a melhoria da segurança viária. No entanto, afirma que as ações realizadas hoje esbarram nas limitações tecnológicas e operacionais do sistema adotado pelo município.
Na prática, a explicação reforça uma crítica recorrente de motoristas e especialistas em mobilidade urbana: enquanto Foz do Iguaçu não investir em um sistema moderno e centralizado de controle semafórico, a “onda verde” continuará sendo pontual, instável e insuficiente para atender às demandas do trânsito da cidade.
