Foz do Iguaçu concentra maior número de notificações de dengue do Paraná em 2026

Região do Morumbi é a mais afetada. Calor, chuvas e altos índices de infestação colocam a cidade em alerta no início do ano, exigindo mais cuidados com quintais.

Meramente ilustrativa (Foto: SESA)

Foz do Iguaçu começou o ano de 2026 sob alerta das autoridades de saúde diante do avanço da dengue e dos altos índices de infestação do mosquito Aedes aegypti. Dados do informe epidemiológico mais recente divulgados pela Secretaria de Saúde do Estado (SESA) apontam que, na primeira semana epidemiológica do ano, o município registrou 57 casos notificados e 57 casos prováveis da doença, com dois casos confirmados e autóctones — quando a infecção ocorre dentro do próprio município. Embora não haja registro de óbitos até o momento, a incidência acende um sinal de atenção justamente no período considerado mais crítico do calendário epidemiológico.

De acordo com a técnica administrativa da Vigilância Ambiental, Renata Defante Lopes, o início do ano reúne fatores que favorecem a proliferação do mosquito transmissor da dengue, como o calor intenso e o aumento das chuvas. “Nós estamos numa situação de alerta, digamos assim, pelos índices de infestação. Esse final de ano e começo de ano são sempre mais preocupantes, porque a gente tem temperaturas mais altas e bastante ocorrência de chuvas na cidade”, explicou. Segundo ela, esse cenário exige maior vigilância tanto do poder público quanto da população.

Renata destaca que o cuidado com os imóveis é essencial para evitar o crescimento dos casos. “É o momento de dar aquela revisada em todo o quintal, evitar deixar materiais expostos, qualquer recipiente que possa acumular água. Calhas, caixas d’água, tudo isso precisa de atenção. A melhor estratégia é não permitir que o mosquito nasça”, afirmou. A Vigilância Ambiental reforça que ações simples e rotineiras fazem grande diferença no controle da doença.

Entre as regiões do município, o bairro Morumbi concentra atualmente os indicadores mais preocupantes. Conforme a técnica, a situação é resultado de uma combinação de fatores estruturais e sociais. “A região do Morumbi é uma soma de fatores. A gente tem muitos terrenos baldios com descarte irregular de materiais que acabam acumulando água, o que altera os indicadores. Além disso, é a região mais populosa, então há mais pessoas expostas e, consequentemente, mais casos”, explicou. Ela ressalta que é fundamental intensificar os cuidados nos imóveis da região e manter ações contínuas do poder público.

Para enfrentar o problema, equipes da Vigilância Ambiental atuam diariamente em diferentes bairros da cidade. Agentes de combate às endemias e agentes comunitários de saúde realizam vistorias casa a casa, orientando moradores e identificando possíveis focos do mosquito. “Nós estamos todos os dias com as equipes na rua, fazendo vistorias e passando orientação para a população. Por isso, é extremamente importante que as pessoas recebam bem os agentes de saúde, porque eles têm informações importantes e ajudam a identificar problemas que muitas vezes passam despercebidos”, ressaltou Renata.

Além das visitas domiciliares, a participação da população por meio de denúncias e comunicação direta com os serviços de saúde é considerada fundamental para uma resposta mais rápida. Segundo Renata, a Prefeitura dispõe de canais oficiais para esse contato. “O telefone 156 é um canal importante para denúncias, para que a gente saiba onde estão acontecendo os problemas e possa agir de forma mais rápida”, afirmou. Também estão disponíveis o telefone fixo do Centro de Controle de Vetores (2105-8730) e um canal de WhatsApp, exclusivo para mensagens, pelo número 99997-4448, que pode ser utilizado tanto para esclarecimento de dúvidas quanto para denúncias.

A Vigilância Ambiental reforça ainda que o combate à dengue depende de um esforço coletivo e contínuo. “A gente precisa desse apoio de 100% da população para reduzir, de fato, a infestação. O cuidado com o ambiente é a principal estratégia para evitar epidemias que Foz do Iguaçu já enfrentou em outros anos”, destacou Renata. Além das ações de prevenção e controle do mosquito, ela lembra que outras estratégias, como a vacinação, também fazem parte do enfrentamento à doença.

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